PP, União, PL e Republicanos lideram “emendas sem dono” que ocultaram R$ 1,3 bilhão em 2025

Relatório da Transparência Brasil aponta que lideranças partidárias esconderam autores de indicações

PP, União Brasil, PL e Republicanos concentraram o uso das chamadas “emendas de liderança” em 2025, que ocultam os autores das indicações de recursos, segundo relatório da Transparência Brasil. A prática, que somou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão, reproduz a lógica do extinto orçamento secreto, declarado inconstitucional pelo STF em 2022.

As quatro siglas concentram cerca de R$ 1,19 bilhão. O PP lidera com R$ 427,8 milhões, seguido por União Brasil (R$ 288,7 milhões), PL (R$ 254,3 milhões) e Republicanos (R$ 218,4 milhões). Avante, Solidariedade e Podemos completam a lista.

O relatório aponta que o caso do PP é emblemático: mais da metade dos recursos foi destinada ao Piauí, estado do senador Ciro Nogueira, e 23% ao Rio de Janeiro, embora o líder da bancada em 2025 fosse fluminense. A ONG afirma que é “pouco factível” que um único parlamentar tenha destinado a maior parte das verbas a estados fora de sua base eleitoral.

As emendas de liderança surgiram após mudanças aprovadas pelo Congresso em 2024 para atender decisões do STF, mas o sistema não registra qual deputado efetivamente escolheu o beneficiário. A Transparência Brasil recomenda o fim da prática até que seja criado um identificador único para rastrear cada indicação da origem ao destino final

O relatório também aponta que não foi possível identificar o beneficiário de R$ 821 milhões em emendas empenhadas em 2025, com a execução direta por órgãos como a Codevasf dificultando o rastreamento.

A Câmara afirmou que há iniciativas em curso para aprimorar a transparência, com integração de sistemas entre Legislativo e Executivo. O Republicanos e o Podemos defenderam a regularidade do instrumento, enquanto PP, União Brasil, PL, Avante e Solidariedade não se manifestaram até a publicação.

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