29 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Queiroga mente e diz na Jovem Pan que vacinas mataram 4 mil pessoas no Brasil

No entanto, segundo o próprio Ministério da Saúde, há apenas 11 casos suspeitos de óbitos ligados à imunização

Na primeira semana de vacinação infantil contra Covid-19 no Brasil, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga jogou mais uma vez contra a medida de contenção contra a pandemia. Ele disse, em entrevista na Jovem Pan, que quase 4 mil brasileiros morreram por complicações com vacina.

No entanto, a própria pasta do Ministério da Saúde afirma que em todo o Brasil há apenas 11 casos suspeitos de óbitos ligados à imunização.

Este número, por si só, já deveria ser considerado alto, mas nem se compara com os 4 mil alardeados por Queiroga e, principalmente, os mais de 620 mil que morreram de Covid-19.

Questionado pela imprensa de verdade, Queiroga bateu o pé e afirmou que o número exato de pessoas mortas por vacinas era 3.935. No entanto, quando confrontado com os dados oficiais da pasta, de que há suspeitas de 11 mortes relacionadas, ele reconheceu o erro.

E é assim que mentiras e/ou “fake news” são criadas.

Na plataforma de desinformação do governo, a Jovem Pan, o responsável pela Saúde no Brasil soltou uma grande mentira. Tirou não se sabe de onde o dado inventado de 4 mil mortes. Desinformação essa que já foi reproduzida, digerida e replicada pelos apoiadores de Bolsonaro.

Queiroga é simplesmente o titular da Saúde durante uma pandemia. Para evitar momentos de incompetência em casos de equívocos como esse, ele deveria se abastecer de informações precisas, incluindo aí dados importantes para quando for entrevistado. Algo que ele não o fez por incompetência ou má fé.

Com meios como a Jovem Pan reproduzindo o equívoco mentiroso de Queiroga, já foi plantada no ar, mais uma vez, uma mentira sobre a vacinação. Exatamente sobre mais um momento chave desta pandemia, a campanha de vacinação infantil.

Queiroga, claro, é o mesmo que ficou à frente da ideia de uma Consulta Pública sem sentido sobre a vacinação infantil – anteriormente já autorizada pela Anvisa. E que mostrou o dedo médio para protestantes em viagem aos EUA, ao lado do presidente não vacinado. Ficando de quarentena por lá, por ter pego Covid.