Relatório aponta o avanço da concentração de renda no Brasil

Relatório apresentado no Salão Nobre do Congresso destaca que o País teve avanços na educação, saúde, segurança alimentar e meio ambiente

O Brasil registrou avanços em áreas, como emprego, renda, segurança alimentar, educação, saúde e meio ambiente, mas ainda convive com desigualdades estruturais que limitam a distribuição desses ganhos entre a população.

Os dados foram anunciados na quarta edição do relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, divulgada ontem, no Salão Nobre do Congresso Nacional, em Brasília.

Ao analisar os números referentes ao ano de 2025, o levantamento aponta o agravamento da concentração da renda. O relatório registra que o Brasil chegou em 2024 com um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, “ingressando, pela primeira vez, no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano.”

Segundo o relatório, no entanto, o rendimento médio do 1% mais rico — que em 2024 era 30,2 vezes superior ao dos 50% mais pobres — passou a ser 31,5 vezes maior, “evidenciando que os ganhos do crescimento econômico continuam sendo apropriados de forma altamente concentrada.”

No mercado de trabalho, revelam os números, as mulheres seguem com remunerações inferiores às dos homens. “A situação das mulheres negras permanece a mais desfavorável: além de receberem pouco mais de 40% do rendimento dos homens não negros, continuam atuando nos segmentos de menor remuneração”.

Produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o relatório é uma iniciativa do Observatório Brasileiro das Desigualdades, criado em 2023, a partir do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades. A iniciativa reúne organizações e redes da sociedade civil, associações de municípios, centrais sindicais, entidades de classe e representantes dos três Poderes.

O levantamento divulgado ontem atualiza 48 indicadores sociais, econômicos, ambientais e políticos referentes ao país. Os dados são organizados em oito áreas  temáticas e consideram recortes de renda, raça/cor, gênero e território. Segundo o balanço, 71% dos indicadores apresentaram melhora em relação ao período anterior. Seis registraram piora e cinco permaneceram praticamente estáveis.

A população negra continua em situação desfavorável na maior parte dos indicadores analisados. Norte e Nordeste, por sua vez, permanecem concentrando os piores resultados sociais em diferentes áreas.

Entre os indicadores que pioraram estão ainda o peso do aluguel sobre a renda das famílias, o número de pessoas vivendo em áreas de risco geológico e a participação da população negra no sistema prisional. Já a escolarização líquida no ensino fundamental, o acesso à internet e a progressividade da tributação da renda ficaram praticamente estáveis.

Durante o lançamento, o vice-líder do governo na Câmara, deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ)  destacou a importância dos dados para orientar a formulação de políticas públicas. Para ele, a redução de alguns indicadores não elimina problemas históricos de distribuição de renda e acesso a direitos.

Com correiobraziliense

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