Risco-país da Argentina ultrapassa 500 pontos e mercado perde paciência com Milei

Indicador atingiu maior nível desde maio, pressionado por incertezas eleitorais, política cambial e inflação

O risco-país da Argentina, medido pelo banco JPMorgan, ultrapassou os 500 pontos nesta terça-feira (18), atingindo 506 pontos, maior nível desde maio. O indicador, que mede o prêmio exigido pelos investidores para financiar o governo argentino, subiu cerca de 3,5% no dia e reverteu parcialmente a melhora observada no primeiro semestre, quando chegou a cerca de 402 pontos em julho.

A deterioração veio acompanhada de quedas dos títulos da dívida argentina em dólar e de pressão sobre ações de empresas do país. O índice S&P Merval, da Bolsa de Buenos Aires, caiu cerca de 1,3%, com bancos entre os mais pressionados. Em Nova York, os ADRs de empresas argentinas também registraram perdas.

O movimento reflete uma combinação de fatores externos — com investidores mais cautelosos com ativos de risco — e domésticos, como a proximidade das eleições, dúvidas sobre a política monetária e cambial, inflação e o comportamento das reservas. A liquidez dos títulos argentinos, que os torna atrativos em períodos de bonança, também acelera as vendas em momentos de aversão ao risco.

O dólar oficial, porém, permanece próximo de 1.500 pesos, contrastando com a deterioração dos ativos. Para o governo Milei, o desafio é manter a confiança dos investidores em meio a um ambiente externo menos favorável e uma agenda econômica e política cada vez mais sensível.

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