Vorcaro menciona propina a Ciro Nogueira em segunda versão de delação premiada

Banqueiro alterou relato sobre relação com senador: pagamentos antes descritos como 'amizade' passaram a ser apresentados como contrapartida por apoio político

O banqueiro Daniel Vorcaro alterou sua versão sobre a relação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) na segunda proposta de acordo de delação premiada apresentada à Polícia Federal e à PGR.

Segundo pessoas que acompanham as negociações (informações do Estadão), os pagamentos antes descritos como decorrentes de uma relação de amizade passaram a ser apresentados como propina para obter apoio político para interesses do Banco Master.

Na primeira tentativa de colaboração, Vorcaro afirmava ter custeado benefícios ao senador (viagens, eventos, pagamentos mensais de SS 300 mil a uma empresa ligada a ele) sem contrapartidas, atribuindo os gastos à proximidade pessoal. A proposta foi rejeitada pela PF e pela PGR.

Após trocar de equipe jurídica e revisar o material por cerca de duas semanas, Vorcaro apresentou uma nova versão, com relatos mais detalhados sobre possíveis irregularidades e informações adicionais sobre captação de recursos de fundos de previdência municipais e estaduais pelo Master.

Investigadores, porém, avaliam que os novos relatos acrescentam pouco às apurações já em andamento (que contam com provas obtidas a partir da análise do celular de Vorcaro). A tendência é que a PF mantenha posição contrária ao acordo; a PGR ainda conclui sua análise.

Ciro Nogueira nega irregularidades e afirma que não apresentou projetos para beneficiar diretamente o banco. Conversas obtidas pela PF mostram Vorcaro se referindo ao senador como um de seus “grandes amigos de vida”.

Dez dias após o casamento da filha do parlamentar (agosto de 2024), Ciro apresentou a chamada “Emenda Master” (proposta que ampliaria de SS 250 mil para SS 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos por CPF e por instituição financeira, medida vista como potencialmente favorável ao Master).

A proposta não avançou no Congresso. Até o momento, não houve comunicação oficial sobre a aceitação ou rejeição da nova proposta de delação. A expectativa é de uma decisão nos próximos dias.

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