Ações da Braskem desabam após Justiça Federal em Alagoas tornar petroquímica e ex-dirigentes réus

Empresa enfrenta processo por impactos da mineração de sal-gema em Maceió; analistas avaliam notícia como negativa para riscos legais e reputacionais

As ações da Braskem recuaram cerca de 14% nesta terça-feira (16), tocando mínima intradia desde janeiro, após a Justiça Federal em Alagoas tornar a petroquímica e ex-dirigentes réus em processo que apura responsabilidades pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió.

Na última sexta (12), o juiz federal substituto da Primeira Vara Federal determinou o prosseguimento parcial da ação penal movida pelo MPF contra a empresa e ex-dirigentes e técnicos ligados à atividade minerária. O processo trata dos impactos nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro (afundamento do solo, fissuras, tremores e crateras).

Entre os crimes apontados pelo MPF estão poluição ambiental qualificada, elaboração de estudos ambientais supostamente falsos, extração irregular de recursos minerais e dano qualificado ao patrimônio.

A Braskem afirmou que se pronunciará nos autos e que “desde o início das apurações, contribuiu com informações e esclarecimentos”. A empresa destacou que “sempre atuou em conformidade com as leis” e que seguirá empenhada no cumprimento dos compromissos assumidos.

Por volta das 13h35, os papéis recuavam 13,73%, a R$ 8,04 (pior desempenho do Ibovespa). Na mínima, chegaram a R$ 7,93. Analistas do UBS BB afirmaram em relatório: “Embora a empresa tenha reiterado seu compromisso em cumprir todas as obrigações, avaliamos a notícia como negativa, pois ela pode aumentar ainda mais as preocupações em torno dos riscos legais e reputacionais da Braskem.”

Gestora IG4, que assumiu controle compartilhado da Braskem, busca influência na reestruturação da Raízen com oferta para comprar créditos de dívida

IG4 pretende reunir 50% mais um dos créditos que serão convertidos em ações da companhia; operação mira cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras

A gestora IG4 (que assumiu o controle compartilhado da Braskem este ano) fez uma oferta não vinculante para comprar créditos detidos por credores da Raízen, com o objetivo de ganhar influência na reestruturação financeira da companhia, de acordo com o Valor Econômico.

A IG4 pretende reunir 50% mais um dos créditos que serão convertidos em ações da Raízen, tornando-se dona de fatia decisiva após a reestruturação. A operação mira cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras incluídas no plano de recuperação extrajudicial da Raízen (que informou ter adesão de 80% dos credores).

O plano de recuperação prevê conversão de 45% da dívida em ações (ao preço de R$ 0,25 por papel, entregando mais de 80% da companhia aos credores); os outros 55% seriam renegociados para pagamento em prazos mais longos. A Shell faria aporte direto de R$ 3,5 bilhões, e a Aguassanta (holding de Rubens Ometto) poderia aportar R$ 500 milhões.

A estratégia da IG4 enfrenta o desafio de convencer uma base pulverizada de credores (investidores estrangeiros, debenturistas e detentores de CRAs). A crise da Raízen combina endividamento elevado (endividamento consolidado de R$ 75,3 bilhões e passivo tributário de R$ 24 bilhões) e reestruturação dura para credores e acionistas. O plano oferece três caminhos aos credores, incluindo opções mais punitivas (desconto de 80% com pagamento em 2047). A assessoria da IG4 afirmou que não comentaria o caso.

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