20 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Policia

Além de esmurrado, advogado é chamado de filho da puta por PM

Detalhes constam no BO; PM que no momento da agressão estava sem identificação, nega relato do advogado

Membros da OAB/AL foram até a Central de Flagrantes para registrar BO

A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB/AL), acionou o Conselho de Segurança, após entrar em contato com o Governador Renan Filho, com o secretário de Segurança Pública e com o comandante-Geral da PM.

O órgão cobrando apuração imediata da agressão contra o advogado Kleriston Lincoln Palmeira, enquanto defendia um cliente acusado de roubar um veículo, na noite desta quarta-feira (22), em Maceió.

A agressão começou depois que Kleriston levou um soco no rosto do PM Sebastião Cícero Oliveira Lins. E prosseguiu com o advogado sendo prensado contra uma parede ao lado de seu cliente. Depois de tentar pegar um celular para falar com colegas, o PM sacou a arma e apontou contra seu rosto, o chamando de ‘filho da puta’.

A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL), repudia que novamente um advogado em pleno exercício da profissão tenha sido agredido durante uma abordagem policial em Maceió, na noite dessa quarta-feira (22).

É inadmissível que atos como este aconteçam rotineiramente por agentes da segurança pública.

O Presidente da OAB-AL, Nivaldo Barbosa Jr., já entrou em contato com o Governador Renan Filho, com o secretário de Segurança Pública e com o comandante-Geral da PM, cobrando apuração imediata dos fatos.

A Ordem informa que, mais uma vez um caso de agressão à um advogado ou advogada, será levado ao Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg).

Ao mesmo tempo em que a OAB-AL preza pela harmonia entre as instituições, vai exigir respeito e a mais rigorosa apuração do caso. Nota da OAB/AL.

A cúpula da OAB acompanhou o advogado para o registro de um Boletim de Ocorrência

Boletim de Ocorrência

Um Boletim de Ocorrência foi confeccionado na Central de Flagrantes I, no bairro do Farol, pelos crimes de abuso de autoridade, injúria e lesão corporal, com o caso sendo acompanhado pelo presidente da OAB/AL, Nivaldo Barbosa; o vice-presidente, Vagner Paes; e outros diretores da Ordem.

Em depoimento, o advogado confirmou a agressão, dizendo que levou um soco no rosto, foi contido contra uma parede e foi chamado de filho da puta, após sacarem a arma contra ele.

“Mesmo após ter se afastado, o policial militar Sebastião Cicero Oliveira Lins se dirigiu até o comunicante bastante exaltado (…) ficou irratadiço e agressivo (…) e pediu calma ao militar, entretanto foi agredido de surpresa com um soco no rosto. Um outro militar então contece Sebastião enquanto outro imobilizou o comunicantes (advogado) contra a parede ao lado de seu cliente. Durante a imobilização foi usada força excessiva e quando o comunicante tentou sair, os policiais militares sacaram a arma de fogo e determinaram que permancesse no local. Um terceiro policial militar ainda interpelou e o chamou de filho da puta quando saia da via. Todos os policiais militares estavam sem a tarja de identificação no uniforme”. Relato do advogado no BO.

Relato do advogado Kleriston Lincoln Palmeira no BO

O militar, por sua vez, informou ao delegado que não chegou a agredir o advogado e teria apenas o retirado da calçada ‘de forma proporcional e sem uso de violência’. E isso só teria acontecido depois que o advogado, segundo o PM, se negou a se afastar do cliente.

“O senhor Kleriston Lincoln apareceu no local; que de início ele não se identificou como advogado; que o comunicante e sua guarnição pediram para que Kleriston se afastasse; que explicaram que ele precisava se afastar por uma questão de segurança; que repetidas vezes Kleriston se negou a se distanciar e insistia que não sairia da calçada; que após diversas tentativas frustradas, o comunicante então retirou o senhor Kleriston do exato local onde estava, afastando-o alguns metros do sítio da abordagem que se desenrolava; que deslocou o advogado de forma proporcional e sem uso de violência. Por fim, destacou o comunicante que o suposto autor apenas exibiu sua carteira da OAB após ter sido deslocado da calçada”. Trecho do relato do PM no BO.

Relato do PM Sebastião Cícero Oliveira Lins no BO

2 Comments

  • Avatar Sílvio Vieira Sapucaia

    Concordo com o comentário acima do Yvan. Além do mais esses tipos de policiais despreparados, são frouxos e covardes que não assumem o que fazem, diferentemente de muitos outros integrantes da PM, que honram a farda com equilíbrio e sensatez, sem perder a sua autoridade e a razão.

  • Avatar Yvan

    Polícias truculentos e despreparados devem pagar pelos abusos praticados. É dever da Justiça aplicar a pena e acabar com a impunidade deste bandidos vestidos de fardas.

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