
O rombo nas contas do IPREV de Maceió supera e muito o valor divulgado até há pouco de R$ 117 milhões. O total, ainda parcial, chega a R$ 170 milhões, incluindo aplicações de risco no Banco Master e no fundo Imobiliário Nest Eagle, alvo de questionamentos de órgãos fiscalizadores e de controle.
No Master, de Daniel Vorcaro, foram duas aplicações – primeiro R$ 80 milhões e em seguida mais R$ 17 milhões, totalizando R$ 97 milhões.
Mas não foi só. Os gestores do IPREV, nomeados pelo prefeito JHC, também carrearam o dinheiro dos aposentados de Maceió para o Nest Eagle, um Fundo Imobiliário com atuação de alto risco no mercado financeiro.
Estima-se que, somados outros aportes que ainda não aparecem na cobertura da mídia, pode bater a casa dos R$ 170 milhões o montante dos recursos malversados na ciranda financeira pela Previdência dos servidores da capital alagoana.
O que mais estarrece nos lances financeiros do IPREV é a ausência de parâmetros, mesmo ante recomendações de órgãos especializados capazes de resguardar aplicações efetuadas no instável mercado de capital.
Embora figure como Fundo operando em situação de normalidade, conforme registro da CVM e sob gestão do Banco Daycoval – dado assinalado em reportagem do Estadão – o Nest Eagle se destaca por ‘atrair’ quase que exclusivamente recursos de órgãos previdenciários municipais, a exemplo do IPREV aqui de Maceió.
Informações disponíveis indicam tratar-se de um Fundo com capital em torno de R$ 200 milhões, captados junto à previdência de municípios e investidos em imóveis, inclusive de luxo, mas com o mínimo de liquidez – algo na casa dos R$ 500 mil – e portanto sem condições de viabilizar resgates. Mais: os imóveis que compõem o portfólio do Nest sequer foram alugados, não gerando rendimento.
Foi aí, nesse Fundo obscuro e sem garantias reais visíveis (e que entrou na mira dos Tribunais de Contas), que os gestores do IPREV de Maceió acharam de alocar 50 milhões de reais.
Aliás, na lista dos ‘investidores’ do Nest, o Instituto de Previdência dos Servidores da Prefeitura de Maceió aparece como autor da segunda maior aplicação – R$ 51,48 milhões (27,8% dos investimentos feitos por 12 institutos municipais) atrás apenas do Rioprevidência, que destinou R$ 75 milhões (correspondendo a 40% dos aportes) dinheiro que até hoje também não foi resgatado.
Nesse rolo, o fundo escolhido pelos dirigentes do IPREV para despejar mais de R$ 50 milhões entrou de vez no radar do Ministério Público e Tribunais de Contas e já foi reportado à Polícia Federal, que abriu investigação dentro do IPREV após autorização oficializada pelo Supremo Tribunal.
Aqui, um registro capital: lá atrás, em 18 de agosto de 2025, isto é, muito antes de estourar o rombo do IPREV no imbróglio do Banco Master, o Tribunal de Contas de Alagoas já havia recebido uma representação feita pelo Ministério Público de Contas Estadual alertando para a fragilidade operacional do Nest Eagle e comunicando que esse Fundo, onde o IPREV enterrou R$ 51 milhões, já era alvo de investigação do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo.
Com aprofundada análise sobre o uso de dinheiro dos Regimes Próprios de Previdência Social dos Municípios (RPPS) e dos riscos dos investimentos e gestão desses recursos, o documento do TCE/Alagoas contém nada menos que 884 páginas, o que mensura bem a dimensão e os intrincados desse rumoroso escândalo financeiro.














