24 de outubro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Amazônia perdeu 1/4 de sua cobertura florestal nos últimos 18 anos

Segundo o IBGE, a área perdida é maior que o Reino Unido e metade das alterações foi para transformar áreas em pastagem

A Amazônia perdeu 269,8 mil km² de florestas nos últimos 18 anos. A área é maior do que o Reino Unido, representa quase um quarto da sua cobertura florestal e, segundo o IBGE, metade das alterações (50,2%) foi para transformar áreas em pastagem.

Os dados fazem parte do estudo “Contas de Ecossistemas: Uso da Terra nos Biomas Brasileiros (2000-2018)”, divulgado hoje pelo IBGE, que, pela primeira vez em sua história, mapeou os diferentes ecossistemas brasileiros para detalhar o estado em que estão e as mudanças que ocorreram desde o começo do século.

No período analisado, a proporção de terras da Amazônia usadas para pasto cresceu 71%, passando de 248,8 mil km², em 2000, para 426,4 mil km² em 2018. Foi o bioma que mais registrou mudanças no uso da terra. A área para a agricultura também avançou — cresceu 288,6% no mesmo período.

Para piorar, o IBGE avalia que a conversão da vegetação em pasto não se traduziu em ganhos de produção. Apesar de ocupar muitas terras, os pastos não geraram emprego nem renda, explica Maria Luisa da Fonseca Pimenta, gerente de Contas Estatísticas Ambientais do IBGE e uma das autoras do estudo.

“A maior preocupação não é só a perda quantitativa da área de cobertura, mas também a fragmentação que isso traz para a floresta. Ou seja, quando eu falo que perdi 2 km², eu não estou só perdendo aquela área, eu estou impactando a área seguinte. Temos, então, o efeito de borda na floresta. Ela vai se fragmentando e fica mais suscetível a qualquer outro tipo de transformação”. Maria Luisa da Fonseca Pimenta.

Biomas

A pesquisa mostrou que houve uma desaceleração nas perdas de áreas naturais no Brasil. No entanto, todos os biomas terrestres brasileiros tiveram saldo negativo entre 2000 e 2018. A perda de cobertura da vegetação nativa chegou a quase 500 mil km² na soma dos diferentes ecossistemas: ao todo, a redução de vegetação foi de 489,8 mil km² no período.

Cerrado e Amazônia puxaram o alto número de supressão da vegetação nativa. Enquanto a vegetação natural da região amazônica foi reduzida em 269,8 mil km², o Cerrado perdeu 152,7 mil km² —mais do que a área do estado do Ceará. Os dois biomas representam 86% de toda a perda de vegetação nativa nestes 18 anos.

O Pampa (que no Brasil está em parte do Rio Grande do Sul) foi o mais atingido em relação à sua própria área: 16,8% de sua cobertura natural foram destruídos no período estudado.

Caatinga

Em contraste à Floresta Amazônica e ao Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica foram os biomas que registraram melhoras nos índices de perda de vegetação nativa. Isto é, as áreas desmatadas reduziram ao longo dos anos.

No caso da Caatinga, entre 2000 e 2010 a redução da vegetação nativa foi de 17,1 mil km² (média de 1.710 km² por ano); já entre 2016 e 2018, período mais recente analisado pelo IBGE, o número foi de 1,6 mil km² (média de 800 km² ao ano).

Neste bioma, o único exclusivamente brasileiro, houve grande avanço da agricultura. Apesar de ser pouco expressiva no bioma, houve aumento de 74,9% da área dedicada a este tipo de produção, em 18 anos.

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