25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Anitta ironiza Zé Neto, que iniciou cancelamentos de shows municipais com sertanejos

De tanto falar da Lei Rouanet, revelou-se que boa parte dos shows realizados pelo Brasil teriam sido pagos com dinheiro público sem licitação.

O cantor Zé Neto, de 32 anos da dupla sertaneja com Cristiano, fez um discurso durante um show na cidade de Sorriso, Mato Grosso, na última noite, exaltando o local e sua carreira.

Na fala, que chamou atenção nas redes sociais, o sertanejo cita a Lei Rouanet e afirma que sua dupla “não precisa fazer tatuagem no toba” para mostrar que estão bem:

“Estamos aqui em Sorriso, Mato Grosso, um dos estados que sustentou o Brasil durante a pandemia. Não somos artistas que não dependemos de Lei Rouanet. Nosso cachê quem paga é o povo. A gente não precisa fazer tatuagem no toba para mostrar se a gente está bem ou mal. A gente simplesmente vem aqui e canta, e o Brasil inteiro canta com a gente”.

Além de ser duramente criticado nas redes sociais, o cantor precisou enfrentar uma crise nos bastidores com alguns de seus colegas de profissão. Isso porque as declarações de Zé Neto abriram uma “caixa de Pandora”.

Leia mais: População reage a gastos milionários com shows e prefeito cancela contratos

De tanto falar da Lei Rouanet, agora revelou-se que boa parte dos shows realizados pelo Brasil teriam sido pagos com dinheiro público, muitas vezes sem licitação.

Em uma publicação feita no Twitter pessoal da cantora, ela disse: “E eu achando que tava só fazendo uma tatuagem no tororó”. Por volta das 8h30 o post já tinha mais de 110 mil curtidas.

Sem citar nomes, ela deixa a entender que sua pretensão inicial era apenas tatuar a região do ânus, não começar uma grande discussão sobre os cachês pagos a sertanejos em apresentações.

Gustavo Lima

Na última semana, o Ministério Público de Roraima decidiu investigar uma apresentação pela qual Gusttavo Lima ganharia R$ 800 mil. Nas redes sociais, há quem peça por uma CPI do sertanejo

Outra prefeitura, a de Conceição de Mato Dentro (MG), compartilhou um comunicado oficial afirmando que não realizou pagamentos ao cantor Gusttavo Lima em relação ao show na cidade, previsto para o dia 20 de junho e que acabou cancelado ontem.

Por contrato, a empresa de Gusttavo Lima teria direito a ficar com R$ 600 mil. Uma das cláusulas do documento prevê multa de 50% da nota fiscal faturada — de R$ 1,2 milhão — em caso de suspensão ou rescisão, mas não houve nenhum pagamento aos artistas Gusttavo Lima e Bruno e Marrone.

O show de Gusttavo Lima no município mineiro, acordado em 11 de abril, tornou-se alvo de pedido de investigação no MPMG. O cantor receberia um cachê de R$ 1,2 milhão, o maior pago pelo município entre as contratações divulgadas no site oficial.

Ao todo, a prefeitura contratou R$ 2.340.000,00 (dois milhões, trezentos e quarenta mil reais) em shows através da Secretaria Municipal de Turismo, conforme é possível ver no site os contratos de seis, dos 16 shows programados.

O show de Gusttavo Lima representava mais de 50% desse valor, seguido pelos artistas Bruno e Marrone (R$ 520 mil), Israel e Rodolffo (R$ 310 mil), Di Paulo & Paulino (R$ 120 mil), João Carneiro (R$ 100 mil) e Thiago Jhonathan (R$ 90 mil).