
O Itamaraty comunicou ao embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, que ele pode retornar a Buenos Aires, e o governo passará a tratar apenas com o encarregado de negócios argentino em Brasília. A medida, inédita na história das relações bilaterais, é uma resposta aos ataques do presidente Javier Milei ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes nos últimos dias.
Raimondi foi convocado ao Itamaraty, onde recebeu a informação de que poderia voltar para casa. Não se trata de uma expulsão, mas de um rebaixamento da relação, que será mantido enquanto durarem as ofensas do ultraliberal. O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, também permanecerá no Brasil.
Horas após a medida, a chancelaria argentina afirmou em comunicado que “lamenta a decisão [do Brasil] de continuar se isolando do resto da região por questões puramente ideológicas”.
A crise começou há pouco mais de uma semana, quando Milei, durante evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo, chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e se referiu a Alexandre de Moraes como “lixo careca”.
No domingo (2), Milei renovou os ataques em entrevista. “O que é agressivo é quando alguém rouba. É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, afirmou. Ele também disse que Lula é “um vigarista e um ladrão” e “um condenado”. O governo brasileiro já havia convocado o embaixador argentino para esclarecimentos na semana passada e chamado Bitelli de volta a Brasília.














