5 de março de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Arthur Lira inicia fritura de Guedes: ‘Se preocupa mais com bancos que com o país’

Grande aliado no momento de Bolsonaro, deputado afirma que ele e outros líderes do Centrão não vão pedir a saída do ministro da Economia

Arthur Lira (PP-AL), líder do Progressistas na Câmara e um novo melhor amigo de Jair Bolsonaro, disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, está mais preocupado com “bancos, com mercado financeiro e bolsa de valores” do que com a reconstrução do país.

“Tem coisa pior que do que obra inacabada? Quem tem que colocar a mão no bolso primeiro neste momento é o governo. No mundo todo está sendo feito isso. Aqui não faremos, por quê? Na minha visão, gerar emprego, alavancar a economia, entregar as obras: isso é pensar na reconstrução do país”. Arthur Lira (PP-AL), líder do Progressistas na Câmara.

Segundo o deputado por Alagoas, o Congresso se dispôs a aprovar o estado de calamidade pública e o Orçamento de Guerra para abrir espaço para gastos, mas o governo está bloqueando recursos para obras.

Ele argumenta ainda que os desembolsos do governo neste momento não podem focar somente na área da saúde, porque os problemas do país agora não se restringem à área.

“Por que votamos tudo isso: exceção à regra de ouro, PEC de Guerra… para ficar bonito? Enquanto isso, dinheiro para obras está sendo contingenciado”. Arthur Lira.

Lira diz que, como classificou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, Guedes é “vendedor de redes que vende como quer”.

“Vendedor de redes, para quem não sabe, é o vendedor de ilusão. É aquele que pede R$ 100 reais, você oferece R$ 10 e ele aceita. Na minha visão, gerar emprego e alavancar a economia, entregar as obras… isso é a reconstrução do país. Não tem nada pior do que obra parada. Como vamos votar reforma agora? Como que vai ter espaço político para isso, no meio de uma crise dessa da saúde? Isso vai ser mais para frente. Aí voltamos a falar de tributária, não tem nenhum problema”. Arthur Lira.

Lira diz que ele e outros líderes do Centrão, que estão em processo de reaproximação com o presidente Jair Bolsonaro, não vão pedir a saída de Paulo Guedes do governo, porque “não é hora de tacar fogo no Brasil em plena pandemia”. Ele cobra, porém, um plano concreto para retomada da economia.

Pró-Brasil

A declaração de Lira ocorre num momento em que o governo debate o Plano Pró-Brasil, cuja ideia é montar bases para a reconstrução da economia após a pandemia do novo coronavírus.

O plano foi apresentado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Barga Netto, contendo a projeção de R$ 30 bilhões em obras para os próximos três anos. O montante refere-se a obras comandadas pelo Ministério da Infraestrutura, de Tarcísio de Freitas.

Mas o Ministério do Desenvolvimento Regional, comandado por Rogério Marinho, estruturou sugestões para encorpar o plano, envolvendo desembolsos de cerca de R$ 180 bilhões para aceleração de cerca de 20 mil obras até 2024.

Lira diz que soube das sugestões de Marinho ao cobrar o ministro por andamento de projetos que estão parados pelo país e o pagamento de obras do Minha Casa Minha Vida. Ele vê com simpatia a ideia.

Guedes

Guedes é contra a ampliação do Pró-Brasil e a inclusão das sugestões de Marinho no programa. A interlocutores, chamou Marinho de “desleal”.

O ministro da Economia disse a aliados que está ressentido, pois trouxe Marinho para sua equipe, nomeando-o secretário especial da Previdência e do Trabalho e chegou a defender seu nome junto a Bolsonaro para assumir a Casa Civil, quando o presidente decidiu tirar Onyx Lorenzoni da pasta.

A declaração dada por Bolsonaro na manhã desta segunda-feira, 27, de que Guedes é quem decide os rumos da economia, que “dá o norte” e “as recomendações” do que se deve seguir na pauta econômica ajudou a acalmar os ânimos dentro da equipe do Ministério da Economia.

Claro, isso não deu muito certo para os agora ex-ministros Mandetta e Moro.

Lira e Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro chegou a gravar um vídeo ao lado de Arthur Lira, que ambiciona disputar a próxima eleição interna na Câmara, para suceder o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência.

Bolsonaro negocia com o Centrão para ter apoio na Câmara. Ao partido de Arthur, o PP. o Presidente ofereceu uma vice-presidência da Caixa Econômica e o controle do FNDE – Fundo de Desenvolvimento da Educação, com orçamento de R$ 5,5 bilhões

Segundo noticiou a Revista Veja esta semana, o presidente Jair Bolsonaro, após negociação em palácio, prometeu a Arthur uma boa conta dentro do governo: a Presidência do Banco do Nordeste.

Ele foi ainda um dos parlamentares que a 1ª Vara Federal de Curitiba decretou bloqueio mensal de 10% dos salários, para garantir cumprimento de penas requeridas em ações de improbidade administrativa, conforme pedidos da força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) e da Petrobras.