Ex-dono da Reag entrega à PGR proposta de delação premiada focada em Vorcaro

João Carlos Mansur detalhou esquema com fundos offshore e laranjas, apontou novos nomes e deve pagar R$ 40 milhões em multas

O ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada focada em Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, com 17 anexos que detalham suspeitas de crimes financeiros.

O acordo, que está em fase de ajustes finais, prevê o pagamento de R$ 40 milhões em multas, valor equivalente ao que Mansur recebeu da Reag durante o período em que esteve à frente da empresa. A delação será analisada pelo ministro André Mendonça, do STF, para eventual homologação.

Mansur afirma que a Reag prestava serviços ao Master e a Vorcaro desde 2019, estruturando operações com fundos de investimento que, segundo seu relato, desviavam dinheiro do banco por meio de laranjas e estruturas offshore.

Um dos casos citados é o fundo Jaguar Multimarket, registrado nas Ilhas Cayman, que recebeu R$ 494 milhões do Master, mas cujo verdadeiro proprietário seria Vorcaro, e não o beneficiário declarado. O executivo também detalhou negociações diretas com o banqueiro, que, segundo Mansur, tinha conhecimento dos desvios e os comandava.

A proposta de delação inclui menções a dois políticos: o senador Jaques Wagner (PT-BA), que recebeu ingressos para um show de Taylor Swift avaliados em R$ 63,3 mil por meio de Augusto Lima, ex-sócio do Master; e ACM Neto (União-BA), cliente da Reag por meio de um fundo que aplicou R$ 4,8 milhões no Structure, ligado ao Master. Ambos negaram irregularidades.

Mansur também negocia um acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no âmbito da Operação Carbono Oculto, que investiga o uso de fundos da Reag por empresários do setor de combustíveis.

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