Assoiação: Petrobras deveria elevar gasolina em R$ 1,22 por litro para repor defasagem

Salto do petróleo para US$ 100 amplia diferença entre preço doméstico e internacional

A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo tipo Brent para acima de US$ 100 pela primeira vez desde 2022, ampliando a defasagem entre os valores praticados no Brasil e a cotação internacional.

Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a diferença atual exigiria um reajuste de R$ 1,22 por litro da gasolina nas refinarias da Petrobras, o que representa uma defasagem de 49%. Para o diesel, a necessidade de aumento seria de R$ 2,74 por litro (85%).

Desde o ataque coordenado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, o preço do Brent saltou 49,3%, passando de US$ 72,48 para US$ 108,23. A paridade da gasolina apresentava estabilidade desde a redução de 5,2% dos preços em janeiro, quando a Petrobras levou em conta o recuo de quase 20% do Brent no acumulado de 2025.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, afirmou que a estatal deveria ter repassado parte da parcela. “Não sei o que a Petrobras vai fazer, mas já deveria ter repassado parte dessa parcela, em linha com o que foi anunciado por outras petroleiras do mundo”, disse.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou na última sexta-feira que a empresa ainda não decidiu sobre os reajustes. “Nesse momento, essa questão ainda não está respondida. Se essa volatilidade for tão grande assim, certamente vai exigir respostas mais rápidas que exigiriam se a alta fosse mais lenta. Mas, neste momento, não temos sequer essa premissa”, declarou durante coletiva sobre o desempenho de 2025.

A atual política de reajuste da Petrobras, adotada em maio de 2023, abandonou a paridade internacional como principal motivadora para a definição dos preços da gasolina e do diesel. O modelo anterior, em vigor desde 2016, permitia alterações diárias.

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