Audiência pública na Câmara debate alternativas sobre o enfrentamento ao câncer de cabeça e pescoço

Proposta pela vereadora Teca Nelma, discussão envolveu técnicos, pacientes e universidade e tratou sobre políticas públicas no combate à doença

Os desafios da saúde foram discutidos durante audiência pública na tarde desta segunda-feira (8), na Câmara Municipal. Proposta pela vereadora Teca Nelma, o debate apresentou a realidade e norteou sobre o enfrentamento do câncer de cabeça e pescoço em Maceió.

 

A mesa de discussão foi presidida pela própria vereadora e teve a composição da secretária de atenção especializada da Saúde de Maceió, Sandra Torres; a médica Sonia Ferreira Bastos; a fonoaudióloga, Ana Paula Cajaseiras; a coordenadora-geral do Cesmac, Samara Griz; pró-reitora de ensino da Uncisal, Maria Desterro; e a paciente oncológica, Carmem Penhafiel.

 

“Este debate é muito necessário, reunindo a sociedade, professores, a ciência, pacientes e familiares, buscando sempre construir caminhos e soluções para um tema que é tão sensível, mas que tem tratamento. O enfrentamento ao câncer de cabeça e pescoço renova a esperança e mostra que é possível salvar vidas. Debatemos aqui as políticas públicas sobre diagnósticos, cuidados e tratamento, sempre priorizando a humanidade e vida”, destacou Teca Nelma.

 

A médica Sonia Ferreira Bastos, por sua vez, apresentou números sobre o câncer de cabeça e pescoço, com 781 mil casos por ano no país, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Segundo a médica, o cenário é de preocupação, e a desigualdade social acaba se tornando fator determinante para sobreviver à doença. É preciso, segundo a médica, que Alagoas tenha uma linha de cuidados para combater o câncer de cabeça e pescoço.

 

A paciente oncológica, Carmem Penhafiel levou à audiência pública o seu relato no enfrentamento à doença. Ela foi diagnosticada com um câncer de boca em 2022.

 

“Eu já tinha feito exames de rotina, e ao suspeitar do caso, fui diagnosticada com o câncer de boca, e consegui fazer a cirurgia no dia 18 de outubro. Não foi necessário fazer quimioterapia e radioterapia porque no meu câncer não foi diagnosticado HPV, o que poderia ser um complicador maior. No entanto, senti falta de um encaminhamento para fonoaudiólogo, para um dentista, principalmente após a realização do procedimento cirúrgico”, disse a paciente.

 

Para a fonoaudióloga Ana Paula Cajaseiras, é fundamental o tratamento do câncer de cabeça e pescoço, sobretudo pelo impacto que a doença causa na fala, deglutição e na autoimagem. Há casos em que os pacientes passam por procedimentos complexos, precisando fazer uso de sondas para se alimentar e a utilização de traqueostomia, que é dispositivo que desvia a respiração do nariz e da boca, permitindo a passagem direta de ar para os pulmões.

 

Representando a Secretaria Municipal de Saúde, Sandra Torres destacou que o Município tem um compromisso firmado na construção da linha de cuidado no tratamento do câncer de cabeça e pescoço, com atenção de profissionais da psicologia, da nutrição e fonoaudiologia, por exemplo.

 

Já Samara Griz, que é a coordenadora-geral do Cesmac, disse que a universidade tem atuado nas mais diversas frentes de cuidado com a população no combate ao câncer de cabeça e pescoço, na atenção primária, bem como nos níveis de maior complexidade da doença.

 

Coordenadora da saúde bucal do Município de Maceió, Ducy Lily ressaltou que o envolvimento dos profissionais da saúde para atuar no diagnóstico inicial da doença é essencial para salvar vidas. “O Município tem investido em profissionais que estão trabalhando na forma preventiva de diagnosticar o câncer de cabeça e pescoço, inclusive com dois estomatologistas que trabalham na rede municipal de saúde”.

 

Pró-reitora de ensino da Uncisal, Maria Desterro reforçou a necessidade de mostrar para a sociedade, via academia, sobre o fluxo e tratamento do câncer de cabeça e pescoço, bem como as iniciativas para reabilitação do paciente após a doença.

 

Também usaram da palavra durante a audiência pública, os familiares de pacientes oncológicos, professores universitários, profissionais da saúde e acadêmicos.

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