25 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro diz repudiar o nazismo e pede o mesmo tratamento ao comunismo

Presidente, que já recebeu com abraços e sorrisos membros do neonazismo alemão, distorce mais uma vez a discussão

Na Rússia e horas depois de Monak e Adrillies Jorge serem demitidos por defenderem práticas nazistas no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro citou hoje o comunismo, ao afirmar que “outras organizações que dizimaram milhões de inocentes ao redor do mundo” também precisam ser combatidas”.

Como esperado, o presidente partiu mais uma vez para a desinformação:

“A ideologia nazista deve ser repudiada de forma irrestrita, sem ressalvas que permitam seu florescimento”, escreveu o presidente em suas redes sociais, colocando no mesmo joio o comunismo. Vale lembrar, ele defende que o nazismo é coisa de esquerda – e reforçou isso dentro do Museu do Holocausto.

“É de nosso desejo que outras organizações que promovem ideologias que pregam antissemitismo, divisão de pessoas em raças ou classes, e que também dizimaram milhões de inocentes, como fez o comunismo, sejam combatidas por nossas leis”. Jair Bolsonaro, presidente.

Adepto da retórica preconceituosa, com ataques diretos contra negros, pobres, LGBTQI+ e estrangeiros, o presidente, que já abraçou membros do partido neonazista em apoio nas últimas eleições da Alemanha, mais uma vez atrapalha na discussão.

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Enquanto que, pela concepção, o nazismo prega pela existência de uma raça superior (e que para isso ser alcançado as demais precisem ser dizimadas), o comunismo prega o fim das classes sociais e divisão igualitária de renda.

Sim, regimes abusaram da concepção, mas o mesmo é feito pelo capitalismo ou qualquer outro sistema: não é pela concepção de base, é mais por culpa de quem está no comando.

Milhares de crianças foram abusadas sexualmente por padres católicos. Algo que a igreja não defende. Vários pastores roubam dinheiro de seus fieis, deturpando a ideia original. Religião seria proibida por isso?

O problema é de concepção: o comunismo defende divisão igualitária de renda e o nazismo o extermínio de minorias. Bolsonaro, por exemplo, também é um problema de concepção: nunca deveria ter existido politicamente ou mesmo nascido.

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