
As ações da Braskem atingiram o menor valor da história na B3 nesta segunda-feira (24), após a empresa solicitar recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de aproximadamente R$ 54 bilhões, em sua maior parte denominada em dólar. Os papéis chegaram a cair 8% pela manhã, sendo negociados a R$ 3,81. Por volta das 14h30, a queda era de 4,4%, com as ações cotadas a R$ 4,02, enquanto o Ibovespa subia 0,65% no mesmo horário. Desde 5 de março, quando eram negociadas a R$ 11,40, as ações acumulam desvalorização de 65%.
A B3 confirmou a exclusão dos ativos da Braskem (BRKM3 e BRKM5) do Ibovespa e de outros 17 índices, entre eles o Small Caps (SMLL) e o ICO2, em razão do pedido de recuperação extrajudicial. A retirada definitiva ocorrerá no fechamento do pregão desta terça-feira (25), quando o peso das ações será redistribuído proporcionalmente entre os demais integrantes de cada carteira.
A empresa obteve 90 dias de proteção judicial para concluir seu plano de reestruturação. Para que o acordo seja homologado, será necessário o apoio de credores que representem mais de 50% de cada classe de dívida.
Especialistas apontam que o patrimônio líquido consolidado da Braskem já é negativo em R$ 13,1 bilhões, situação que levou a auditoria a registrar ressalvas sobre a continuidade operacional da companhia. Segundo Cláudio Santos, sócio e diretor executivo da Galeazzi & Associados, “do ponto de vista do balanço, o equity já está zerado. O que sustenta a ação hoje não é patrimônio, mas a aposta de que o ciclo petroquímico volte antes de a dívida cobrar a conta”.
Apesar da elevada percepção de risco, o mercado avalia que uma renegociação bem-sucedida pode aliviar o caixa da empresa e preservar suas operações, o que tende a manter forte volatilidade nas ações.














