25 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Cabo Dominguetti diz que ‘mar de lama’ ainda virá à tona no Ministério da Saúde

Cabo que denunciou o esquema de propinas na CPI da Covid diz que ainda há muita coisa “estarrecedora” a ser revelada

Cabo Dominguetti: Há muita coisa estarrecedora a ser revelada

O cabo da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Luiz Paulo Dominguetti  Pereira – que denunciou ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose de imunizante em contrato com o Ministério da Saúde – afirmou, em conversa com o jornal Metrópoles, que um “verdadeiro mar de lama” ainda virá à tona sobre a corrupção no Ministério da Saúde

Questionado se pretende concorrer a algum cargo político em 2022, Dominguetti disse não pensar nisso no atual momento. E completou:

Tem muita coisa ainda para acontecer. Muita coisa ainda virá à tona. Coisas estarrecedoras. Um verdadeiro mar de lama. Não posso dar detalhes. A CPI não foi nada. Neste momento, só digo: a verdade será estarrecedora. Vocês nem imaginam quanto valia a vida! A CPI foi fundamental. Um patrimônio. Um pontapé”.

Ele, contudo, não quis antecipar qualquer uma das “coisas estarrecedoras” que antevê vindo à tona.

Dominguetti se tornou figura emblemática na CPI da Covid-9 ao denunciar ter recebido, como representante da empresa de vacinas Davati Medical Supply, proposta de propina do Ministério da Saúde.

A oferta teria partido do então diretor de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, durante um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, região central da capital federal, em 25 de fevereiro no ano passado. O caso foi revelado pela repórter Constança Rezende, do jornal Folha de S. Paulo.

Dominguetti teria buscado a pasta para negociar 400 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2) da AstraZeneca com proposta de US$ 3,5 por dose (depois disso, passou a US$ 15,5).

“Vida normal

Quase três meses após o fim da CPI da Covid-19, Dominguetti relata ter voltado à sua vida normal – enquanto o processo na PMMG que avalia se ele feriu o código de ética da corporação ao comercializar vacinas com o governo federal ainda não tem conclusão.

Em 30 de junho do ano passado, dia seguinte à publicação da denúncia pela Folha de S. Paulo, a PMMG informou ter aberto um Relatório de Investigação Preliminar contra Dominguetti para apurar possíveis condutas que ferem o Código de Ética e Disciplina dos Militares do Estado de Minas Gerais e o Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais.