29 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Maceió

Câmara de Maceió debate em audiência atenção primária em saúde na capital

Proposição foi feita pelo presidente da Comissão de Saúde, vereador Dr. Valmir Gomes (PT)

A Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Maceió promoveu um amplo debate, na tarde desta segunda-feira (21), sobre a atenção primária na capital. Convocada pelo seu presidente, vereador Dr. Valmir Gomes (PT) o encontro reuniu representantes da Secretaria Municipal de Saúde, especialistas, sindicalistas e lideranças comunitárias.

Na oportunidade a coordenadora de Planejamento e Gestão da SMS, Sônia Moura, revelou que no momento a cobertura na cidade da atenção primária é de 54,43%, levando-se em conta os serviços que são realizados nos 51 bairros.

Ainda assim, ela reconheceu que isso não é considerado ideal e que a meta é a ampliação para 70%. No momento, somados todas as unidades de saúde, a estrutura do município é composta por 76 espaços de atendimento, dos quais em 61 é prestada a atenção primária.

“A cobertura da Atenção Primária é de 54,43% esse é um número atualizado. Temos 30 % com estratégia de saúde da família e com o modelo tradicional e saúde primária chegamos a esse percentual. Mas, a meta é chegar a pouco mais de 70%. No momento já comemoramos esse percentual porque é fruto da cobrança dos movimentos sociais, da câmara, dos técnicos e da secretaria. Dos profissionais de saúde com um todo que trabalham dioturnamente”.

Ela destacou, ainda, que a adoção do horário estendido de atendimento – o Corujão da Saúde – tem garantido parte das necessidades reprimidas do município, evitando aglomerações no período diurno. Disse, ainda, que todos os aperfeiçoamentos estão sendo providenciados porque a proposta tem demonstrado êxito na maioria dos distritos sanitários.

Formação

A representante da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), ex-prefeita Kátia Born, destacou o papel da entidade na formação e atendimento primário como parte da formação de seus alunos. Em sua avaliação isso além de ajudar a reduzir a saturação do sistema, também capacita pessoas para a importância e necessidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Sei da situação do município e a necessidade de se ampliar as equipes de saúde da família. Se observarmos os postos de saúde são os mesmos de nossa época. Como a população ampliou é possível identificar que os conjuntos novos não têm a estrutura mínima. O paciente se muda para um local distante e não está cadastrado no posto mais próximo porque veio de outra área. O papel da Uncisal é a formação de profissionais de saúde da família. Isso de um período para cá começou a faltar recursos para essa preparação. Temos as cotas e fora isso outros 500 que têm uma ajuda de R$ 500. Na realidade a formação é importante porque são de pessoas que vem de comunidades e podem ser preparadas para devolverem o conhecimento adquirido lá na ponta”.

Descontrole

Integrante do Sindicados dos Trabalhadores em Saúde (Sindprev) Manassés Santana falou em nome do Conselho Municipal de Saúde onde representa a entidade. Conforme destacou, os pontos vulneráveis do atendimento nos bairros acaba por provocar demanda de pessoas ao PAN Salgadinho.

“Um dos problemas que temos percebido do ponto de vista da população é uma cobrança em relação a falta de medicamentos nos postos. Muitas vezes não encontram nas unidades em seus bairros e vêm buscar apoio no PAN Salgadinho. O Conselho Municipal de Saúde tem trabalhado muito a questão da atenção básica visando a prevenção. É a porta de entrada do SUS. Quando isso não funciona corretamente as pessoas vão para a média complexidade, a exemplo do PAN. Isso deveria ser marcado em sua unidade de origem. Em geral se espera seis meses para se conseguir marcar a primeira consulta”.

Ele revelou, ainda, que muitas das informações que dispõe são oriundas das visitas feitas pelos conselhos, de surpresa, nas unidades ou a partir de denúncias feitas pelos próprios usuários. Disse também que por conta do volume de pessoas em busca de atendimento também existe uma sobrecarga de serviços para os servidores.

Recursos Humanos

Em seu pronunciamento o vereador Leonardo Dias (Sem Partido) lembrou que recentemente discutiu exclusivamente a situação do PAN Salgadinho, também numa audiência pública.

E, além disso, tem dedicado parte do mantado a conhecer por meio de visitas toda a estrutura de atendimento em saúde. Nesse período viu de perto as condições de trabalho e detalhes sobre o atendimento à população.

“Não posso deixar de falar nos avanços, como o Corujuão da Saúde pois beneficia muito a população já que muita gente não pode ser atendida no horário de trabalho, além da despolitização das unidades de saúde pois fizeram mudanças e não sofrem mais influência dos vereadores. Houve também outro ponto importante que foi a descentralização do laboratório”.

Entretanto, há uma questão grave a ser resolvida que é a reposição de profissionais nas equipes, em especial quando ocorrem afastamento de profissionais. O vereador lembrou que em visita a unidade da Pescaria estava sem dentista e médica por estarem afastadas por licenciamento.

“A prefeitura não consegue repor esses afastamentos. O PSF já tem um problema por conta da necessidade de só poder colocar pessoas concursadas. Então há uma dificuldade imensa enquanto a população precisa muito de atendimento em saúde”.

Um outro aspecto levantado por ele envolve o êxodo de moradores dos quatro bairros afetados pela mineradora Braskem que contribuíram para o desequilíbrio e superlotação das unidades, em especial, dos bairros da parte alta da cidade.

População

Os desencontros e dificuldades de encaminhamento de atendimento, exames, medicação e a realização de procedimentos cirúrgicos foi lembrado pelo líder comunitário Amaro da Silva do Sítio São Jorge. Além de acompanhar a “via crucis” dos moradores da região, tem vivido de perto essa realidade em relação a um membro de sua família.

“Temos uma pessoa da família que tem um simples tumor benigno nas costas e onde procuramos ajuda não temos tido assistência. Primeiro no posto mandaram para a UPA, fomos lá e indicamos para o HGE que também disse que não podem fazer. Já são três meses de espera e não encontramos a solução”.

A professora Lucélia Sales da Uncisal, reconheceu o esforço do município em ampliar a atenção primária, porém, não deixou de confirmar que a demanda acaba por deixar a maioria das unidades com dificuldade em garantir agilidade no atendimento. Por isso, defendeu que as Unidades Docentes de Assistencial (UDA) pudessem sem ampliadas pois poderiam ser porta de entrada também para esse serviço.

“Existem apenas 3 UDAs em funcionamento e até onde sabemos são muitas as faculdades que também têm cursos de saúde. Entendemos que juntas com as universidades precisamos abrir as portas para o atendimento em saúde”.

Esse problema foi confirmado por algumas lideranças comunitárias. No bairro do Santo Amaro, por exemplo, o idosos têm tido dificuldade em conseguir atendimento por falta de profissionais, recursos financeiros para se deslocar e, ainda, dificuldades físicas. Por isso, a comunidade necessita de um trabalho de atendimento domiciliar.

Gargalo

O vereador Chico Filho (MDB) disse que costuma estar atento aos debates envolvendo a saúde com os quais procura estudar afim de contribuir com sugestões.

Ele reconheceu o envolvimento do Dr. Valmir com as discussões por conta de sua formação e atuação na ponta do SUS. Ainda assim, o emedebista revelou ser reconhecedor do quanto o sistema está estrangulado e acaba sendo um grande gargalos das gestões municipais.

“Ouvindo aqui uma liderança soube que a pessoa precisa do exame e isso provoca demora. Depois quando consegue realizá-lo tem dificuldade em marcar o retorno e aí, às vezes, lá se vão seis meses. Dentro da unidade seria fácil ser resolvido. Feito o exame já deixaria marcado o laboratório e logo em seguida o retorno. E mesmo para quem não foi atendido lá também pode fazer o exame. Mas, porque não priorizar quem já foi atendido inicialmente, enquanto o outro já fosse para outra fila. Isso para garantir o retorno”.

Em sua avaliação o Conselho Municipal de Saúde e quem tem experiência deve falar sobre essas condições e mais, se isso é possível de ser resolvido. Na casa, ele defendeu que todos os vereadores estão buscando o melhor para a saúde do município.

Chico lembrou que com toda a complexidade que há, no momento, é mais barato investir na saúde básica, antes que as pessoas evoluam para problemas mais graves.

Na sequência, a vereadora Teca Nelma (PSDB) completou destacando a importância do tema classificado como “transversal” e que afeta a vida das pessoas de todas as classes sociais. “A saúde é um tema central em nosso mandato, em nossa casa e ela não está desassistida”, disse a parlamentar.

Análise

No fechamento do debate, o vereador Dr. Valmir Gomes disse que continuará provocando encontros para que surjam críticas, avaliações, mas principalmente sugestões de encaminhamentos dos diversos problemas que ainda são presentes no universo da saúde.

“Acreditamos que o modelo que precisamos é o do fortalecimento do Programa de Saúde da Família. O modelo de equipes com mínimo não funciona como está sendo proposta pelo Governo Federal. O nosso compromisso é com a reforma sanitária. Apesar de reconhecermos as dificuldades financeiras precismos juntar força para fortalecer o investimento em saúde. Também acredito que a ampliação do antedimento das UDAs por meio da universidades”.

Ele lembrou que é importante observar os projetos que as instituições formadoras têm pode contribuir para o atendimento de algumas demandas municipais.

Valmir sugeriu também que a residência em ultrasson também pudesse ser aproximada da realidade municipal já que existem demandas para exames de imagem no município.

A audiência também foi acompanhada pelo verador Raimundo Medeiros (PTC). Morador da parte alta da cidade, reconheceu avanços na gestão da saúde, porém, reivindicou a construção de mais unidades nas áreas dos conjuntos novos que foram entregues sem nenhum equipamento de saúde.