
A campanha do presidente Lula (PT) solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abertura de uma investigação por suspeita de divulgação em massa de material inautêntico sobre o aumento dos preços dos alimentos. O pedido tem como alvo mais de 20 influenciadores que, segundo um levantamento da coluna, teriam atuado de forma coordenada com roteiros e até arquivos de imagens idênticos, impulsionados por lideranças do PL.
O material que será apresentado à Justiça Eleitoral aponta coincidências que vão além do tema. “É o roteiro. O mesmo lugar de gravação, o mesmo objeto em quadro, o mesmo gesto e a mesma estrutura de fala”, resume o documento. A fotografia de um pedaço de contrafilé, por exemplo, circulou por 33 contas com o mesmo código de barras na etiqueta. Em 25 de junho, três contas publicaram esse arquivo em um intervalo de 6 minutos e 23 segundos.
Alguns dos influenciadores listados relatam em suas páginas terem recebido doações de empresários e canais bolsonaristas após a publicação do conteúdo. Uma mulher do Rio Grande do Norte, que aparece no material, afirma ter ganhado eletrodomésticos e reformas em casa.
“Eu ganhei essa TV aqui porque eu fui lá falar sobre a pobreza do país”, diz ela, que chega a nominar um empresário do ramo alimentício de Brasília como doador. O levantamento registra ainda que um vereador do PL apresentou, na mesma data, três moções de congratulações a três desses influenciadores, com o mesmo texto e um erro de concordância idêntico.
A disputa jurídica entre as campanhas é recíproca. O time de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, já recorreu à Justiça contra o que definiu como uma rede de ataques “sistemáticos e simultâneos” ao senador, amplificada por perfis que auxiliam a disseminação de conteúdo contra ele. O PL acusou uma rede formada por 409 perfis de atuar de forma coordenada para ampliar conteúdos negativos contra Flávio. Segundo a assessoria da campanha do senador, a Justiça já determinou o bloqueio de diversos perfis apontados por eles.














