17 de julho de 2024Informação, independência e credibilidade
Política

Ciro Gomes ainda não engoliu rasteira do PT, após PSB fechar com Lula

“No dia em que o Lula for declarado inelegível eles apontam um outro poste”, mencionando de forma indireta a ex-presidente Dilma Rousseff

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, declarou que o PT quer “apontar um outro poste” caso seja confirmada a inelegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril. Para Gomes, o objetivo do Partido dos Trabalhadores é “criar uma comoção no país” para viabilizar uma candidatura no pleito deste ano.

“No dia em que o Lula for declarado inelegível eles apontam um outro poste. A questão é: o Brasil aguenta outro poste? Ou não devemos parte grave da situação que estamos vivendo hoje à escolha de um poste pelo Lula?”, afirmou o pedetista sem citar diretamente Dilma Rousseff, presidente pelo PT após os 8 anos de Lula.

PDT

As declarações foram dadas durante a convenção do PDT no Rio de Janeiro, no centro do Rio. O evento oficializou a candidatura do deputado Pedro Fernandes ao governo do estado.

O presidente da legenda, Carlos Lupi, afirmou que Ciro tem como adversários tanto a “direita raivosa”, em referência à chapa encabeçada por Jair Bolsonaro (PSL) como os “muy amigos” petistas. “Do outro lado estão os nossos primos do PT que, se puderem, nos matam em vida”, afirmou Lupi.

“O que não parecia para nós razoável era o PT sacrificar uma jovem liderança em Pernambuco para tirar segundos da minha possibilidade de falar ao povo brasileiro. Isso me surpreendeu muito”, afirmou Ciro.

Gomes falou de Marília Arraes, que foi mantida candidata ao governo de Pernambuco na convenção estadual do PT. A nacional proibiu candidatura em nome de aliança com o PSB, mas PT-PE não concordou e este pode não ter sido o último capítulo da novela.

Ciro não poupou palavras duras ao atacar o PT pela aproximação com o PSB e revelou que publicará uma carta em suas redes sociais para pedir serenidade a seus apoiadores. “Vou publicar uma carta para o povo brasileiro nas redes sociais em que eu peço ‘muita calma nessa hora’. Nossa militância ficou muito frustrada e muito irritada com a forma desleal e traiçoeira que aparentemente fomos tratados”, disse ele.

PT e PSB

O PT fechou acordo com o PSB para as eleições deste ano. Os arranjos preveem que o PT abra mão da candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco, beneficiando o socialista Paulo Câmara, e que o PSB retire Márcio Lacerda da disputa ao governo de Minas Gerais. No estado ele não concorrerá com o petista Fernando Pimentel.

Na corrida presidencial, o PSB se manteria neutro e sem se aliar a Ciro e ao PDT, potenciais adversários do PT. O PSB terá acesso a R$ 118,7 milhões do Fundo Eleitoral, montante que poderá ser usado para financiar campanhas. Em 2014, a sigla elegeu a sexta maior bancada na Câmara dos Deputados, com 34 representantes.

Já o PDT de Ciro terá acesso a R$ 61 milhões do Fundo, e o tempo de TV e rádio dos trabalhistas corresponde a 19 deputados federais. Se não fechar nenhuma coligação até o dia 15 de agosto, o pedetista acabará com pouco mais de 30 segundos no horário eleitoral.