28 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Policia

Coaf aponta movimentação suspeita de 20 deputados no Rio

PSC e PSOL aparecem em relatório; Petista André Ceciliano teve maior movimentação suspeita

O relatório do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) que apontou movimentação atípica do policial militar Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), mencionou auxiliares de outros 20 deputados da Assembleia fluminense.

Fazem parte da lista assessores de parlamentares de diferentes matizes ideológicas, como Márcio Pacheco (PSC), futuro líder do governo na gestão Wilson Witzel (PSC) e o deputado Eliomar Coelho (PSOL). Todos estão juntos na lista com o presidente afastado da Casa, Jorge Picciani (MDB), em prisão domiciliar e também alvo do relatório.

A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro instaurou um procedimento criminal há cerca de quatro meses para investigar as circunstâncias das movimentações dos funcionários de Alerj. A apuração também tem como alvo os deputados aos quais estão vinculados os servidores.

A menção no relatório não significa a prática de algum ilícito. O volume da movimentação, por sua vez, não é medida para a suspeita que eventualmente recaia sobre os deputados. O deputado Marcos Abrahão (Avante), preso na Furna da Onça, teve uma movimentação atípica de só R$ 289 mil.

André Ceciliano

Apenas quatro dos dez deputados alvo da operação foram mencionados no relatório do Coaf. O gabinete que apresentou a maior movimentação entre eles foi o de Luiz Martins (PDT), com R$ 18,5 milhões, quarto da lista geral.

O gabinete com o maior volume de comunicações é o do petista Ceciliano. Foram mencionados quatro assessores com movimentação atípica de, somados, R$ 49,3 milhões.

Cheque para Michele Bolsonaro

O amigo de Bolsonaro fez 176 saques de dinheiro em espécie de sua conta em 2016. Uma retirada a cada dois dias naquele ano. O Coaf achou estranha essa movimentação financeira, considera atípica, de R$ 1,2 milhão do policial militar.

Esse valor inclui tanto saques como transferências, créditos em suas contas, entre outras operações. No dia 10 de agosto de 2016, por exemplo, Queiroz fez cinco retiradas que, somadas, dão R$ 18.450. Todos os saques foram em valores abaixo de R$ 10 mil, a partir do qual o Coaf alerta automaticamente as autoridades fiscais.

E além dos vários saques de valores baixos, chamou a atenção um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michele Bolsonaro, ou “Dona Michele”. A filha do ex-motorista também era servidora da família, alocada no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro afirmou à imprensa na tarde que o ex-motorista “relatou uma história bastante plausível”, e que não haveria nenhuma ilegalidade nas transações. Afirmou ainda que o funcionário está à disposição para prestar esclarecimentos ao Ministério Público.

E isso foi uma grande contradição do que fora dito por seu pai. Jair Bolsonaro afirmou que o motorista recebera um empréstimo de R$ 40 mil e como não tinha tempo para ir no banco, pediu que o pagamento fosse feito na conta de sua esposa.

“Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou. Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil. Se o Coaf quiser retroagir um pouquinho mais, vai achar os R$ 40 mil”

Movimentação suspeita de funcionários da Assemmbleia do Rio de Janeiro em 2016:

  • André Ceciliano (PT) R$ 49,3 milhões
  • Paulo Ramos (PDT) R$ 30,3 milhões
  • Márcio Pacheco (PSC) R$ 25,3 milhões
  • Luiz Martins (PDT) (preso) R$ 18,5 milhões
  • Dr. Deodalto (DEM) R$ 16,3 milhões
  • Carlos Minc (PSB) R$ 16,0 milhões
  • Coronel Jairo (PSC) (preso) R$ 10,2 milhões
  • Marcos Müller (PHS) R$ 7,8 milhões
  • Luiz Paulo (PSDB) R$ 7,1 milhões
  • Tio Carlos (SD) R$ 4,3 milhões
  • Pedro Augusto (MDB) R$ 4,1 milhões
  • Átila Nunes (MDB) R$ 2,2 milhões
  • Iranildo Campos (SD) R$ 2,2 milhões
  • Márcia Jeovani (DEM) R$ 2,1 milhões
  • Jorge Picciani (MDB) (preso) R$ 1,8 milhão
  • Eliomar Coelho (PSOL) R$ 1,7 milhão
  • Flávio Bolsonaro (PSL) R$ 1,3 milhõão
  • Waldeck Carneiro (PT) R$ 700 mil
  • Benedito Alves (PRB) R$ 500 mil
  • Marcos Abrahão (Avante) (preso) R$ 300 mil
  • Wanderson Nogueira (PSOL) R$ 300 mil