Com aval de Lula, aliados querem convencer Jaques Wagner a renunciar à liderança do governo

Presidente avalia permanência como insustentável após operação da PF na Bahia relacionada ao Banco Master

Com aval do presidente Lula, ministros e aliados se lançaram nesta quinta-feira (18) em uma operação de convencimento do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para que ele entregue o cargo.

Segundo aliados, Lula avalia como insustentável a permanência de Wagner na liderança, mas não deverá destituí-lo, esperando que a iniciativa parta do próprio senador. Procurados por emissários do governo, aliados de Wagner (incluindo ministros e integrantes do Governo da Bahia) desencadearam essa articulação.

A expectativa é que Wagner renuncie nesta sexta (19) ou no máximo na segunda (22). Nesta quinta, após a PF deflagrar operação na Bahia relacionada ao Banco Master, Lula telefonou duas vezes para Wagner.

Segundo aliados do presidente, nas conversas não puderam discutir uma sucessão devido ao abalo emocional do senador, e o gesto de solidariedade não deve ser entendido como garantia de manutenção no cargo, mas como um aceno para que Wagner assuma a saída como iniciativa pessoal (sob o argumento de que precisa se dedicar à sua defesa).

Lula sugeriu que Wagner concedesse uma entrevista para dar explicações, mas a avaliação dentro do governo é que elas foram insuficientes.

Aliados do presidente avaliam que a operação da PF contra o líder do governo pode fornecer o discurso de defesa de Flávio Bolsonaro (flagrado em conversas com Vorcaro).

Em meio a suspeitas de que Wagner tenha recebido valores ligados ao Master, ele ressaltou em entrevista à Band News TV a confiança de Lula em sua integridade, afirmando que continua na liderança até segunda ordem e que acha “muito difícil” que Lula mexa em sua posição. Aliados de Lula classificaram a entrevista como “acima do tom” e afirmaram não haver qualquer definição por sua permanência.

A PF cumpriu nesta quinta 18 mandados de busca e apreensão em nova fase da operação Compliance Zero (expedidos por André Mendonça) na Bahia, em São Paulo e no DF, com buscas em endereços ligados a Wagner e Lima em Salvador e em um hotel em Brasília onde o senador mora, além de endereços de Eduardo Sodré Martins (enteado de Wagner) e de sua esposa, Bonnie Bonilha.

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