25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Comitiva do PSL foi pra China se reunir com Partido Comunista

Até mesmo o presidente Jair Bolsonaro ficou “surpreso” com a viagem de deputados

Uma bancada de deputados e senadores da bancada no Congresso Nacional do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, foi até a China para conhecer um sistema capaz de reconhecer os rostos de qualquer cidadão no meio da multidão.

Usada pelo governo chinês na segurança pública, a solução, no entanto, está sendo testada desde o fim do ano passado, ainda que com menor abrangência, em Campinas, cidade paulista que fica a pouco menos de 100 km de São Paulo.

E sendo a China um país comunista e as reuniões acontecendo com o Partido Comunista Chinês, o PSL precisou se defender até mesmo de correligionários. Nem mesmo o guru Olavo de Carvalho gostou da incoerência. Até mesmo o presidente Jair Bolsonaro ficou “surpreso” com a viagem de deputados do PSL à China.

A viagem dos parlamentares foi organizada por Vinicius Aquino, um assessor de Alexandre Frota. É de Aquino a proposta de instalar um projeto piloto de reconhecimento facial. E as críticas de Carvalho alarmaram parte dos deputados que topou a viagem e desconhecia a agenda de Aquino. Carla Zambelli (PSL-SP) nominalmente atacada, recolheu-se no hotel para fazer lives.

Já a senadora Soraya Thronicke disse que as críticas são “falácias” e que o guro está “desinformado”.

O deputado federal eleito Gurgel Soares (PSL-RJ) afirmou no Instagram que a viagem não é uma visita de estado e que todos os parlamentares eleitos que compõem a comitiva ainda não tomaram posse.

Em vídeo, o deputado federal Daniel Silveira, do PSL, disse que a excursão para a China não foi bancada com dinheiro brasileiro e defendeu a ditadura asiática, livrando ela de comparações com Cuba ou Coreia do Norte. “Aqui na China o regime é mais light. É um socialismo”.

Em um vídeo postado no Twitter na noite desta quarta-feira (16), Carvalho chamou os congressistas de “caipiras” e “semianalfabetos”. Segundo o escritor, “instalar esse sistema nos aeroportos brasileiros é entregar ao governo chinês as informações sobre todo o mundo que mora no Brasil”.

Teve até mesmo aqueles que ficaram incomodados por outros motivos. Houve troca de farpas e questionamentos no partido. Além dos que abertamente criticaram a viagem, houve quem perguntasse qual foi o critério seletivo para destacar os nomes que foram de graça à China.