16 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
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Coren vai investigar conduta de profissional que simulou vacinação de idosa

Profissional foi afastada de suas funções. Prefeitura e MP já estão no caso

A profissional de enfermagem que aplicou injeção vazia no primeiro dia de vacinação das pessoas idosas, em Maceió, foi afastada da função pela Prefeitura, e um procedimento administrativo foi instaurado para investigar o caso, segundo informou o secretário Pedro Madeiro, em entrevista ao Eassim, na noite desta quinta-feira. Mas essa não é a única medida investigativa adotada até agora visando a apuração e posteriores encaminhamentos em relação ao fato que ganhou repercussão nacional.

O Ministério Público Estadual de Alagoas também está no caso, e hoje, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-AL) anunciou que está abrindo procedimento ético-disciplinar e vai ouvir a profissional – no seu direito de defesa e do contraditório – e proceder a apuração da ocorrência para adotar as medidas cabíveis. Após tomar conhecimento do ocorrido, o presidente Coren-AL, Renné Costa, se reuniu com o secretário municipal de Saúde, Pedro Madeiro, para tratar do assunto.

A injeção sem vacina foi filmada pela pessoa que acompanhava a idosa de 97 anos, no posto de vacinação instalado no Maceió Shopping, e só foi percebida quando o vídeo circulou no grupo da família. Ainda no local, assim que foi notificada, a equipe responsável pela imunização assegurou que ela, de fato, recebesse a dose da vacina, mas isso não impediu a repercussão do acontecimento, inclusive no âmbito nacional, com a conotação de possível desvio de doses da vacina contra a Covid.

A SMS está tratando o assunto como ‘caso isolado’, e espera-se, mesmo que tenha sido um caso único, mas, tem mesmo que ser apurado e com explicações para a sociedade. Uma das hipóteses mais comentadas é a de tentativa de desvio da vacina destinada às pessoas idosas, mas ainda não há elementos suficientes para fechar esse julgamento. Ainda que a profissional alegue distração, em sua defesa, não deixa de ser uma enorme irresponsabilidade, passível de punição. Afinal, estamos tratando de vidas.

Até porque, se não fosse o flagrante, aquela pessoa sairia dali com a certeza de que tomara a primeira dose da vacina, e isso poderia lhe custar a vida, numa possível contaminação, ao se julgar imunizada.

Que o flagrante sirva de alerta a todo cidadão ou cidadã que vá se vacinar, para ficarem atentos a todo ao procedimento de vacinação; às autoridades, para fortalecerem os mecanismos de acompanhamento e fiscalização do processo; e aos profissionais sobre a imensa responsabilidade que lhes pesa nas mãos.

O secretário Pedro Madeiro informou que foram ampliados os procedimentos de  fiscalização da vacinação e mudou o protocolo para dar mais transparência. Agora, o profissional de saúde tem que mostrar, no ato da vacina, a seringa cheia antes da aplicação e vazia após o procedimento.

É por aí. Não cabem deslizes nem qualquer tipo de desvio (de atenção ou de conduta), quando se trata da vida.