25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Covid-19: Mesmo com Itália admitindo erro em priorizar economia, bolsonaristas insistem no mesmo

“Brasil não pode parar” assustadoramente terá os mesmos resultados de “Milão não para”

O presidente Jair Bolsonaro, seu gabinete que ignora dados e fatos, empresários preocupados com perdas financeiras e bolsonaristas cegos estão determinados em retirar as pessoas do isolamento contra o novo coronavírus.

Após o inacreditável pronunciamento repleto de ironias e sarcasmos infantis, além de puras mentiras e factóides nada científicos, o presidente pregou em rede nacional que os brasileiros devem voltar às ruas. E que a úncia preocupação seria com idosos.

Ele, com histórico de atleta, está salvo. Muitos outros invencíveis também, apesar de praticamente metade das UTIs no Brasil estarem ocupadas por pessoas com menos de 50 anos.

O pior de tudo é que ele não notou que impacto econômico virá ou não mesmo sem quarentena. E o que pode fazer diferença é a força com que isso nos atingirá. O plano Bolsonaro, inclusive, é o pior cenário possível.

Mesmo assim, uma carreata “comemorou”, no início da noite desta quinta-feira (26), o anúncio do Governo de Santa Catarina sobre o plano gradativo de retomada da economia, a partir de segunda-feira (30), que resultará no afrouxamento gradual da quarentena provocada pela pandemia de coronavírus no Estado.

Dezenas de veículos participaram do buzinaço pela Avenida Brasil e Avenida Atlântica, do Balneário Camboriú, apesar de ainda estarem vigentes as restrições de movimentação e a orientação para que as pessoas permaneçam em casa.

O preocupante é que este relaxamento parece vir acontecendo em todo o Brasil, em todas as regiões, apesar dos esforços dos meios de comunicação e diversos governadores e prefeitura enfatizando a importância de ficar em casa e não afogar o sistema de saúde.

Quando todos precisarem ao mesmo tempo, ninguém terá. Simples assim.

Pegue a Itália como exemplo

Desde o início da pandemia, segundo dados publicados diariamente pelo Corriere della Sera, 80.539 pessoas já foram infectadas pelo coronavírus na Itália. Destes, 8.215 morreram e outros 10.361 se recuperaram. De ontem para hoje, mais 712 pessoas morreram. Ainda são mais de 62.013 ainda doentes.

Vale lembrar que há um mês, o país mediterrâneo relutava em ampliar medidas de isolamento. Em 21 de fevereiro, a Itália confirmou sua 1ª morte por Covid-19 e registrava apenas 17 casos confirmados. Logo no dia seguinte, o governo italiano anunciou um toque de recolher para 11 cidades da região mais afetada pela doença.

Mas foi apenas em 8 de março que a Itália decidiu isolar toda a região da Lombardia, responsável por parte importante da economia italiana, em uma medida que afetou cerca de 16 milhões de pessoas. No dia seguinte, o isolamento foi estendido para todos os 60 milhões de habitantes do país que naquele momento já registrava mais de 400 mortes pelo novo coronavírus.

Exército italiano é responsável pelo retirada dos centenas de corpos/dia em hospitais

“Milão não para” foi um erro

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, reconheceu, nesta quinta-feira (26), que errou ao apoiar a campanha “Milão não para”, que, lançada há exatamente um mês, estimulou os moradores da cidade a continuar as atividades econômicas e sociais, mesmo com a pandemia do novo coronavírus.

No início da divulgação da hashtag na internet, em 26 de fevereiro, a Lombardia, região setentrional da Itália, tinha 258 pessoas infectadas pelo vírus, e o país inteiro contabilizava 12 mortes. Um mês após a carreata em Balneário Camboriú.

Hoje, Milão é a província da Itália mais atingida pela Covid-19, registrando 32.346 casos de pessoas contaminadas e 4.474 óbitos, de acordo com balanço da Defesa Civil divulgado nesta quinta-feira, 26 de março.

Em termos quantitativos, a cidade abriga 40,1% da população italiana acometida pela doença, representando 54,4% das mortes no país.

E curiosamente, estão querendo repetir aqui um Brasil não pode parar. É surreal. E todos sabemos o cenário… perderemos o controle.