28 de novembro de 2020Informação, independência e credibilidade
Justiça

Deltan Dallagnol deixa o comando da Lava Jato

Procurador deixará o grupo por questões pessoais; Moro espera que o trabalho da operação “possa prosseguir”

O procurador da República Deltan Dallagnol vai deixar a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba. Coordenador da equipe de investigadores desde a sua criação, em 2014, Dallagnol deixará o grupo por questões pessoais, um problema de saúde de sua filha.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o procurador disse ser uma “decisão difícil”, mas “o certo a fazer” pela família.

A força-tarefa de Curitiba afirmou que “Deltan desempenhou com retidão, denodo, esmero e abnegação suas funções, reunindo raras qualidades técnicas e pessoais”.

“A liderança exercida foi fundamental para todos os resultados que a operação Lava Jato alcançou, e os valores que inspirou certamente continuarão a nortear a atuação dos demais membros da força-tarefa, que prosseguem no caso”. Nota da Força-Tarefa.

Dallagnol será substituído pelo procurador Alessandro Oliveira, que ficará responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba. O ex-coordenador, por sua vez, assumirá as funções antigas de seu substituto.

Segundo comunicado, Oliveira “é membro com maior antiguidade na Procuradoria da República do Paraná a manifestar interesse e disponibilidade para coordenar os trabalhos”.

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que atuava na Lava Jato quando era o titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, parabenizou o ex-colega e disse esperar que o trabalho da operação “possa prosseguir”.

Lava Jato

A existência força-tarefa em seu modelo atual está atualmente em discussão na PGR (Procuradoria-Geral da República). Até o dia 9 de setembro, o procurador-geral Augusto Aras precisa decidir se prorroga o trabalho do grupo ou até mesmo se vai extingui-lo.

A Lava Jato enviou um ofício à PGR na semana passada solicitando sua prorrogação. Esse ofício é assinado por todos os membros da força-tarefa, inclusive Dallagnol.

Dallagnol, aliás, enfrenta hoje pressões contra sua atuação na Lava Jato. O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) tem processos contra ele à espera de julgamento. Caso seja condenado, ele poderá ser afastado compulsoriamente da força-tarefa.

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