Depoimentos de parlamentares de PSOL a Republicanos embasam decisão contra ex-assessora Lira

Deputados Glauber Braga, José Rocha e Adriana Ventura, além do senador Cleitinho, citaram Mariângela Fialek como operacionalizadora do "orçamento secreto".

Os depoimentos de parlamentares de diferentes partidos – do PSOL ao Republicanos – foram determinantes para a decisão do ministro do STF Flávio Dino que autorizou a operação da Polícia Federal contra a ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), a advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca.

Segundo Dino, as oituras “direcionaram as apurações à representada”, apontando-a como a principal responsável pela operacionalização do esquema de “orçamento secreto” na Câmara dos Deputados.

Entre os que prestaram depoimento estão os deputados Glauber Braga (PSOL-RJ), José Rocha (União-BA) e Adriana Ventura (Novo-SP), além do senador Cleitinho (Republicanos-MG). Com base nessas declarações, foi determinado o início de um inquérito policial. Em trecho de sua decisão, Dino destacou:

“O exame dos depoimentos transcritos revela que a representada atua diretamente na operacionalização do encaminhamento de emendas, efetuando-as supostamente em nome do ex-presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Arthur Lira. Constatou-se, ainda, que, mesmo após a alteração na presidência da Casa, ela permaneceu no exercício da função”.

O deputado José Rocha já havia citado publicamente a atuação de Mariângela Fialek. Em entrevista à colunista do UOL Natália Portinari, em janeiro deste ano, Rocha, que presidia a Comissão de Integração Nacional, relatou que Arthur Lira suspendeu uma reunião do colegiado que analisaria emendas para atender a decisão do STF que exigia transparência.

“Eu estava reunido, ele [Lira] foi lá e baixou o ato suspendendo. Eu ia analisar e mandar ao ministério o que tinha esses requisitos exigidos pelo Dino, de transparência e rastreabilidade”, afirmou.

Rocha também revelou que recebeu uma lista de indicações para destinar as emendas – a comissão que presidia gerenciava mais de R$ 1,1 bilhão em recursos em 2024 – e que chegou a enviar uma mensagem a Tuca pedindo a identificação dos autores das emendas, sem obter resposta. “Não aceitei ser carimbador”, declarou.

A PF cumpriu nesta quinta-feira mandados de busca e apreensão contra Mariângela Fialek. A defesa dela ainda não se manifestou, e o espaço segue aberto para eventual posicionamento. Arthur Lira informou, por meio de assessoria, que não se pronunciará até ter acesso a mais informações sobre a operação.

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