20 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Depois de Bolsonaro instigar, grupo invade hospital no rio e quebra computadores

Em live, na quinta-feira, presidente pediu apoiadores que invadissem hospitais públicos para filmar

Um dia após Bolsonaro mandar grupo invade hospital no Rio de Janeiro

O Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência no tratamento da Covid-19 no Rio de Janeiro, foi alvo nesta sexta-feira, 12, de um ataque de um grupo de pessoas revoltadas com a possibilidade de leitos vazios nos hospitais.

A ação ocorreu um dia depois do presidente Jair Bolsonaro dizer que ninguém morreu por falta de leito no Brasil.

Segundo informações do jornalista Arthur Leal, do Jornal O Globo, seis pessoas – que seriam parentes de um homem que morreu por falta de leito – invadiram o hospital e gritavam que queriam checar os leitos para ver se estavam realmente ocupados.

O grupo chutou portas, derrubou computadores e tentou invadir alas restritas a pacientes infectados com a Covid-19.

A ação aconteceu um dia depois do presidente Jair Bolsonaro, durante live presidencial, pedir para seus apoiadores “dar um jeito” de invadir hospitais para filmar os leitos destinados aos pacientes com coronavírus.

Foi desesperador, dizem testemunhas

Testemunhas contaram, ainda, que uma enfermeira, que cuidava de uma paciente idosa, precisou usar uma cadeira e forçar a porta para conseguir impedir que uma das pessoas invadisse o quarto. A confusão só teria terminado quando Guardas Municipais interviram e retiraram os manifestantes.

– Escutei gritos, achei que era algum paciente que estava com algum tipo de surto psiquiátrico. Foi quando uma mulher passou correndo no corredor e começou a chutar e gritar, chutando as portas dos pacientes que estavam na enfermaria – contou uma testemunha, que, por questões de segurança, prefere não se identificar.

– Eu não sei como conseguiram entrar. Nós temos seguranças no prédio… por vezes um homem chegava e falava: “Não encosta em mim!”, como se intimidasse as pessoas – relatou um profissional. – Foi desesperador. Todos gritavam para que eles não entrassem nos leitos. Estávamos numa situação em que só pensávamos que não tínhamos como escapar.