
Ele já concorreu à presidência da República, em disputa acirrada com a presidente reeleita Dilma Rousseff (2014) mas sua liderança esvaiu-se após enfrentar denúncias de corrupção e assistir à derrocada do PSDB como partido que havia sido grande e estruturado.
Este ano, a exemplo de outros nomes conhecidos como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, o deputado mineiro Aécio Neves, presidente da hoje pequena nação tucana, analisou o quadro sucessório nacional e resolveu concorrer novamente.
Avaliou: o Brasil não pode se restringir a dois presidenciáveis (Lula e Flávio Bolsonaro), havendo, pois, espaço para um terceiro postulante. E colocou o nome no termômetro das pesquisas.
Um passo à frente, outro atrás. Começou com 1% e não foi além de 2% das intenções de voto. Esperou, conferiu sucessivas sondagens e, decepcionado, caiu fora. Não só pela pontuação irrisória, mas também pela rejeição insuperável.
A decisão de Aécio não mexe com a política nacional, mas se reflete no cenário alagoano. Em especial, no projeto eleitoral do ex-prefeito João Henrique Caldas, que ingressou no PSDB, após ser expulso do PL, e está na briga pelo governo do estado.
A desistência do presidenciável tucano tem um lado positivo e outro negativo para JHC. O positivo: sem candidato do PSDB, o filho de João Caldas fica livre para apoiar quem achar mais conveniente. O negativo: marchar sob o comando de um líder nacional sem voto, sem liderança e campeão de rejeição popular.
Logo, não se pode dizer que está ‘tudo bem’, que o ex-prefeito maceioense não tem mais obstáculo a transpor. Tem, e um deles é precisamente como fazer seu alinhamento na disputa presidencial. Lula ou Flávio?
Apoiar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro cai muito bem para um JHC que ainda ‘deita e rola’ em Maceió, reduto amplamente bolsonarista com maioria favorável a sua candidatura a governador.
Mas aí surge o grande desafio: como marchar com Flávio na capital sabendo que Lula predomina no interior, onde vivem quase três quartos dos eleitores alagoanos?
O cenário também preocupa João Caldas filho pela escassez de apoios, pela estatura anã do PSDB (com pouco tempo no Guia Eleitoral) e por ter como principal adversário um Renan Filho exibindo a história do governador que transformou, desenvolveu e projetou Alagoas nacionalmente.
O fato, ainda não devidamente avaliado pela oposição, é que, enfrentar um Renanzinho apoiado pelo presidente Lula, pelo governador Paulo Dantas, por uma frente de 10 partidos, incluindo o hegemônico MDB, por 90 prefeitos e cerca de 20 deputados estaduais, parece desafio para um tipo que até agora não apareceu por aqui: um Superman político.
E talvez isso explique porque, de repente, João Henrique Caldas, refletindo melhor, resolveu acionar um instituto para pesquisar e testar seu nome como opção para uma das vagas no Senado…














