28 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Eduardo Bolsonaro duvida da tortura a Miriam Leitão: “sou vítima do politicamente correto”

Filho do presidente diz não haver vídeos de agressões ocorridas durante a ditadura, mas mesmo assim disse ter “pena da cobra”

Filho 03 do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse em entrevista ao canal do YouTube Expressão Brasil que duvida que Miriam Leitão tenha sido torturada durante a ditadura. E que ele virou vítima do patrulhamento do politicamente correto.

No final de semana, o deputado compartilhou um artigo da jornalista da Globo, que criticou o governo do pai dele. E disse ter “pena da cobra” que a torturou na ditadura.

Por causa disso, deputados acionaram ontem o Conselho de Étic. A representação será apresentada por parlamentares do PSOL, PCdoB e PT. A bancada do PSOL na Câmara pedirá a cassação de Eduardo, informou o presidente nacional do partido, Juliano Medeiros.

“Não é possível ficar inerte diante da agressão de Eduardo Bolsonaro à jornalista Míriam Leitão”.

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Sem provas

Além de afirmar que a jornalista Míriam Leitão “certamente não se sentiu ofendida” com a ofensa, o parlamentar ainda disse ser a vítima da situação.

“A Míriam Leitão certamente não se sentiu ofendida, ela só tem a palavra dela, dizendo que foi vítima de uma tortura psicológica quando foi jogada dentro de uma cela junto com uma cobra. Eu já fico com a pulga atrás da orelha, porque você não tem um vídeo, não tem outras testemunhas, não tem uma prova documental, não tem absolutamente nada”.

Vale lembrar que, além de ter que ouvir o deboche de terem “pena da cobra”, a jornalista se tornou alvo de uma série de fake news, que tentavam eximir o ato de Eduardo Bolsonaro, afirmando que ela era uma terrorista e que roubava bancos. O que é mentira.

Segundo o deputado, há uma tentativa da esquerda de silenciar os adversários políticos, porque “se tivermos espaço para falar vamos simplesmente ganhar todos os debates”, acredita ele:

“Estou sendo vítima do patrulhamento do politicamente correto. E o politicamente correto não é sobre o que se fala, mas sim sobre quem fala”.

Tortura

Míriam foi presa durante a ditadura militar e torturada com tapas, chutes e golpes que abriram sua cabeça. Além disso, teve de ficar nua em frente a 10 soldados e três agentes de repressão e passar horas trancada em uma sala com uma jiboia —a cobra citada por Eduardo.

Na época, a jornalista estava grávida de um mês e era militante do PCdoB.

Não foi a primeira vez que a família Bolsonaro exaltou abusos cometidos durante o período da ditadura militar (1964-1985). Quando deputado, Jair Bolsonaro (PL) fez elogios a Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, condenado em 2008 por tortura.

E o atual presidente, durante seu voto no impeachment de Dilma, citou novamente Ustra, dizendo que ele seria “o terror de Dilma Rousseff”.

Agora, sem se omitir, a ex-presidente Dilma Rousseff comentou o ataque feito pelo deputado federal contra Míriam. “Os Bolsonaro têm compromisso com a tortura”, disse Dilma.