
Elon Musk anunciou o lançamento do XChat, nova plataforma de mensagens e chamadas criptografadas integrada ao X, antigo Twitter. A ferramenta começou a ser liberada gradualmente para parte dos usuários e deve ter sua distribuição ampliada ao longo da semana, segundo o próprio empresário. A iniciativa coloca o X em concorrência direta com aplicativos consolidados como WhatsApp e Telegram.
Com o XChat, a plataforma deixa de operar apenas como uma rede social de postagens públicas e passa a disputar o mercado de mensageria privada. A proposta é reunir, em um único ambiente, conversas individuais, grupos, envio de arquivos, chamadas e, futuramente, recursos de pagamentos digitais.
O novo serviço substitui o antigo sistema de mensagens diretas do Twitter, frequentemente criticado por limitações técnicas e fragilidades de segurança. Entre as funcionalidades anunciadas estão conversas criptografadas, envio de arquivos sem restrições de formato, mensagens temporárias e uma interface semelhante à de aplicativos de mensagens já populares, porém integrada ao fluxo público de postagens do X.
A estratégia busca eliminar uma prática comum entre usuários: iniciar interações em comentários públicos e migrar para aplicativos externos quando o diálogo se torna privado. Com o XChat, essa transição passa a ocorrer dentro da própria plataforma, permitindo que um post público evolua diretamente para uma conversa criptografada.
Segundo Musk, o passo seguinte do projeto envolve a incorporação de serviços financeiros. O empresário já confirmou acordos preliminares para viabilizar transferências e pagamentos dentro do ecossistema do X, reforçando a ideia de um aplicativo multifuncional.
Para viabilizar a nova ferramenta, o X reconstruiu sua infraestrutura de mensagens do zero. O XChat foi desenvolvido majoritariamente em Rust, linguagem conhecida por priorizar segurança e desempenho, reduzindo vulnerabilidades comuns em sistemas legados.
A criptografia utiliza um protocolo próprio, chamado Juicebox, no qual as chaves privadas dos usuários são criptografadas, fragmentadas e armazenadas nos servidores do X. O acesso às conversas depende de um PIN definido pelo usuário, permitindo a recuperação das mensagens em caso de troca de dispositivo, característica que o diferencia de serviços como o Signal.
Especialistas em segurança digital, porém, levantam questionamentos sobre o modelo adotado. Como as chaves permanecem na infraestrutura da empresa, há debate sobre a resistência do sistema a pressões governamentais ou ataques avançados. Até o momento, o X não divulgou auditorias independentes completas do protocolo utilizado.
Musk descreveu o XChat como baseado em “criptografia no estilo Bitcoin”, expressão que gerou críticas no meio técnico. O Bitcoin emprega criptografia principalmente para autenticação de transações, e não para garantir privacidade de comunicações. Na prática, o XChat deve utilizar técnicas comuns no universo cripto, como criptografia de curva elíptica e sistemas de chaves públicas e privadas, embora especialistas avaliem o termo como mais uma estratégia de marketing do que uma definição técnica precisa.
O lançamento do XChat se insere em um plano mais amplo. Desde a aquisição do Twitter, em 2022, Musk afirma que pretende transformar o X em um superapp, inspirado no modelo do WeChat, reunindo rede social, mensagens, pagamentos e serviços financeiros em uma única plataforma.














