Em 1994, Jornal do Brasil noticiava votos falsificados em favor de Jair Bolsonaro

Justiça Eleitoral identificou cédulas impressas em papeis mais fino que o original; Presidente hoje quer volta do voto impresso

Com data de 17 de novembro de 1994, a página 5 do Jornal do Brasil, no caderno de Política e Governo, tinha como grande matéria o fato de o voto em branco facilitar a fraude na votação daquele ano. Ainda em urnas com cédulas de papel.

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E curiosamente, em uma nota chamada “Roubo no ‘Varejo'”, juízes de sessões eleitorais davam quantidade e nomes de candidatos beneficiados com as fraudes. Um dos nomes beneficiados era do então deputado federal Jair Bolsonaro:

Caso os apoiadores que estejam “fechados com Bolsonaro” duvidem da veracidade do print, a matéria é verdadeira, como pode ser conferida aqui nesse link. Peculiarmente, tão verdade quando Bolsonaro elogiando Hugo Chávez e dizendo que comunismo é coisa do ‘meio militar’.

A eleição noticiada chegou a ser anulada e uma segunda votação foi realizada. Em 1996, porém, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) restabeleceu o resultado do primeiro pleito por entender que a maioria dos votos foi válida.

Portanto, Bolsonaro não se beneficiou de fraude eleitoral em 1994, mas o voto impresso não deixou o pleito mais idôneo. Longe disso. De acordo com especialistas consultados pela reportagem, as fraudes no período foram facilitadas pelo fato do voto ser impresso. Os métodos para fraudar eram inúmeros:

  • cédulas depositadas em branco nas urnas pelos eleitores poderiam ser preenchidas irregularmente durante a apuração;
  • lotes inteiros de cédulas não utilizadas poderiam ser extraviadas;
  • os formulários chamados “boletins de urnas” poderiam ser alterados após a apuração com informações falsas, tidas como autênticas por não haver registro eletrônico.

Voto impresso

O hoje presidente Jair Bolsonaro, entre outros projetos, pretende lutar no Congresso pelo retorno do voto impresso no Brasil. Ele acredita, literalmente, que se o voto eletrônico for mantido em 2022, o quebra-quebra que aconteceu com os fanáticos por Donald Trump durante a invasão do Capitólio nos EUA se repetiria por aqui.

Bolsonaro tem a certeza e convicção de que Trump foi garfado nas eleições e teme que isso aconteça com ele dentro de dois anos. Não só isso, como ele também afirma (claro, sem provas) de que houve fraude nas eleições brasileiras em 2018. Eleições que ele venceu, diga-se de passagem.

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