18 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Em 1994, Jornal do Brasil noticiava votos falsificados em favor de Jair Bolsonaro

Justiça Eleitoral identificou cédulas impressas em papeis mais fino que o original; Presidente hoje quer volta do voto impresso

Com data de 17 de novembro de 1994, a página 5 do Jornal do Brasil, no caderno de Política e Governo, tinha como grande matéria o fato de o voto em branco facilitar a fraude na votação daquele ano. Ainda em urnas com cédulas de papel.

E curiosamente, em uma nota chamada “Roubo no ‘Varejo'”, juízes de sessões eleitorais davam quantidade e nomes de candidatos beneficiados com as fraudes. Um dos nomes beneficiados era do então deputado federal Jair Bolsonaro:

Caso os apoiadores que estejam “fechados com Bolsonaro” duvidem da veracidade do print, a matéria é verdadeira, como pode ser conferida aqui nesse link. Peculiarmente, tão verdade quando Bolsonaro elogiando Hugo Chávez e dizendo que comunismo é coisa do ‘meio militar’.

A eleição noticiada chegou a ser anulada e uma segunda votação foi realizada. Em 1996, porém, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) restabeleceu o resultado do primeiro pleito por entender que a maioria dos votos foi válida.

Portanto, Bolsonaro não se beneficiou de fraude eleitoral em 1994, mas o voto impresso não deixou o pleito mais idôneo. Longe disso. De acordo com especialistas consultados pela reportagem, as fraudes no período foram facilitadas pelo fato do voto ser impresso. Os métodos para fraudar eram inúmeros:

  • cédulas depositadas em branco nas urnas pelos eleitores poderiam ser preenchidas irregularmente durante a apuração;
  • lotes inteiros de cédulas não utilizadas poderiam ser extraviadas;
  • os formulários chamados “boletins de urnas” poderiam ser alterados após a apuração com informações falsas, tidas como autênticas por não haver registro eletrônico.

Voto impresso

O hoje presidente Jair Bolsonaro, entre outros projetos, pretende lutar no Congresso pelo retorno do voto impresso no Brasil. Ele acredita, literalmente, que se o voto eletrônico for mantido em 2022, o quebra-quebra que aconteceu com os fanáticos por Donald Trump durante a invasão do Capitólio nos EUA se repetiria por aqui.

Bolsonaro tem a certeza e convicção de que Trump foi garfado nas eleições e teme que isso aconteça com ele dentro de dois anos. Não só isso, como ele também afirma (claro, sem provas) de que houve fraude nas eleições brasileiras em 2018. Eleições que ele venceu, diga-se de passagem.

14 Comments

  • Avatar Marcos Antonio

    Gente, depois de tanta coisa prejudicial e irresponsável que esse presidente fez e faz, ainda tem gente que mantém empatia por essa anta miliciana?

  • Avatar Sirlene Martins

    Será que está muito difícil entender?
    Que,
    O próprio presidente quer mais segurança nas urnas, e que o comprovante (impresso) não vai ficar nas mãos de nenhum eleitor,
    Ficará num malote lacrado,
    E somente em casos esporádico, ou suspeita de fraude, vai ter a ferramenta (o comprovante) para fazer a contagem (conferência)
    Ou seja, qualquer cidadão honesto e com boa intenção, óbvio, que é a favor do voto impresso e urna eletrônica.
    O político bandido e corrupto,
    Não vai aceitar,
    Porque eles tem ciência que só ganham, se for NA MÃO GRANDE!!

    VOTO IMPRESSO, TEMOS QUE APOIAR.

  • Avatar Vitor

    Gente pedindo comprovante na urna… isso aí é um prato cheio pro voto de cabresto, ainda mais no país historicamente pautado pelo coronelismo (e agora substuído pela milícia em grandes capitais).

  • Avatar Ilsenir

    A impressão de um “comprovante” do voto constando em quem se votou vai contra o princípio do voto secreto e seria uma volta ao voto de cabresto. Milicianos e quadrilheiros poderiam ameaçar e exigir que as pessoas votassem em seus candidatos. #NãoAoVotoImpresso !!

  • Avatar Aurelio Laborda

    Confio mais nos especialistas em Segurança Computacional, como Diego Aranha, ex-Unicamp e atualmente na Dinamarca, Rezende Dourado, da Unb que constataram inúmeras falhas na segurança das urnas atuais. Não preconizam o voto em cédula, mas urna eletrônica com registro de código e impressão em papel, que não fica em posse do eleitor.

  • Avatar Elza Alves

    Ninguém confia na urna eletrônica… tão pouco no papelzinho que a matéria fala. Queremos urnas eletrônica com ticket de comprovação acopladas… ja tem várias estudos ai na net… e muito simples… nao fazer para fraudar… analise um cartão de crédito… que vc pode utiliza lo no muito mundo inteiro… vai estar na fatura pra vc pagar… e como uma urna não pode emitir um ticket.

  • Avatar Mario

    Essa é a tática de Bolsonaro, desacreditar as Urnas eletrônica, ele já sabe que vai perder, por isso quanto mais tumultuar pra ele e os idiotas que apoiam ele melhor. Alias, até agora só fez tumultuar e proteger os filhos milicianos.

  • Avatar Dilma Coelho

    Penso que o ideal seria as urnas eletrônicas emitindo um recibo, um comprovante do voto, em quem realmente se votou. Uma forma de respaldar a honestidade do voto.

  • Avatar Elisabete Moreira Coutinho

    Sim, me lembro em minha cidade, controlada por Coronéis, a coação do voto impresso era muito comum

  • Avatar Rosicler Cardoso

    Se acontecer esse retrocesso aí sim vamos ter roubo nas eleições. Essa pessoa é e sempre será um golpista.

  • Avatar Edson Bartolazzi

    Trabalhei como mesário – presidente de seção -, por 28 anos; também em apurações, e conheço de perto a fragilidade do voto impresso, não há como comparar. O Brasil está na ponta no voto eletrônico, onde há sim como auditar, é sópegar o BU – Boletim de Urna, e conferir.
    Só a cabeça de um jumento pra pensar em tal retrocesso.

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