29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

“Virar Venezuela” é a ofensa de hoje, mas antes Bolsonaro idolatrava Hugo Chávez

“Não tem nada mais próximo do comunismo do que é o meio militar. Nem sei quem é comunista hoje em dia”

Recordar é viver. O papel do historiador é importante, pois este é um dos que identifica padrões em registros passados e, com esperança, como sociedade podemos fazer de tudo para não errar novamente.

Mas uma curta entrevista de Jair Bolsonaro, em 1999, abre porta para tantas interpretações, tamanho o absurdo de seu conteúdo se comparado com o que vemos hoje, que seria difícil tentar convencer quem ainda não enxerga o óbvio: o Brasil está se tornando tudo aquilo o que o atual governo insiste em evitar.

 

Segundo mostra o acervo do Estadão (portanto, claro, não é montagem nem fake news), palavras do atual presidente, que não se perderam ao vento, mostram que então deputado Jair Bolsonaro via em Hugo Chávez uma grande semelhança aos militares do Brasil, de 1964. E que não via problemas no apoio de comunistas:

“Ele não é anti-comunista e eu também não sou. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que é o meio militar. Nem sei quem é comunista hoje em dia”. Jair Bolsonaro.

Isso porque, ao lado de Aldo Rebelo, que na mesma matéria aprovava uma aproximação com a Venezuela, Bolsonaro dizia gostar da filosofia de Chávez. E que este seria uma esperança para a América Latina. Queria até mesmo passar uma semana ao lado do el presidente. Bolsonaro era Chavista de carteirinha.

Alguns anos depois, dados científicos são ignorados, vide a demissão do diretor do Inpe, e uma grande perseguição a jornalistas (muitos demitidos de seus locais de trabalho por serem contrários ao governo) e a sugestão medíocre de chamar de ‘esquerdopata do PSOL‘ ou de ‘Venezuela’, mostram o quão Bolsonaro mudou, até demais. E não sabe do que está falando.