
Obcecado para estrear no Senado, aproveitando o pleito com duas vagas em jogo, o deputado Arthur Lira precisava transpor dois obstáculos:
1 – aparecer como primeiro ou segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, onde figurava em terceiro e, portanto, fora da perspectiva de vitória;
2 – ter um nome viável para apresentar como ‘seu’ candidato a governador.
Não avançou nas pesquisas e também não lançou ninguém a governador. Isso, até a véspera das convenções.
Afinal, em ‘cima da hora’, valeu-se da indefinição do presidenciável Flávio Bolsonaro para escolher seu vice, e agiu rápido: convenceu o PL e o próprio filho de Jair Messias a convidar o deputado alagoano Alfredo Gaspar. E assim, em um lance, superou os obstáculos que ameaçavam seus planos.
Empolgado com o nome exposto no cenário nacional, Gaspar topou na hora, desistindo do Senado, ele que disputava com Renan Calheiros a liderança das intenções de voto. Isso posto, em tese, Lira passou a ocupar o espaço deixado pelo ex-procurador de justiça.
A seguir, juntou-se ao ex-prefeito JHC e conseguiu um candidato a governador pra chamar de seu.
Venceu, assim, os dois obstáculos, mas colocando em alto risco a carreira política do ‘amigo’ Gaspar.
Uma jogada que motivou o senador Renan Calheiros a proclamar em alto e bom tom:
“Em toda minha carreira, nunca agi para excluir alguém de uma eleição. Sempre defendi a participação de todos. Afinal, para o eleitor, quanto mais candidatos, quanto mais opções de escolha, melhor”.
A oposição finalmente definiu seus dois principais nomes no atual processo eleitoral e com algo em comum entre ambos: a neutralidade em relação à sucessão presidencial.
Com apoio crítico em Maceió, Lira vai tentar atrair os bolsonaristas que apoiavam Alfredo Gaspar. Por sua vez, sem respaldo no interior, JHC espera motivar os eleitores dos municípios onde Lira aparece bem nas pesquisas.
É uma aposta. Nem o ex-prefeito nem o deputado disputará a eleição apoiado em projetos sólidos. E os dois sabem como será difícil convencer a população defendendo, cada um e ao nesmo tempo, dois nomes para a presidência da República.
Dizendo-se comprometido com Lula, com qual cara Arthur Lira pedirá voto aos eleitores de Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro?
E JHC, que resposta acha que receberá dos alagoanos pedindo voto para dois presidenciáveis? Ou vai lembrar somente o próprio nome posto na sucessão estadual?
O fato é que a oposição em Alagoas já viveu enormes disputas e desafios eleitorais, mas nunca esteve tão desorganizada, inexpressiva e enrolada como na corrida às urnas deste ano.
E com um dado que precisa ser realçado: todo esse sarapatel contrasta absurdamente com o projeto político das forças governistas, marcado pela ação conjunta dos seus líderes. Todos unidos ao governador Paulo Dantas – um gigante dessa batalha eleitoral – e focados na eleição dos candidatos Renan Filho (governador), Renan Calheiros (senador), Dr. Wanderley (senador) e Lula (presidente).
Que o diga o sucesso estrondoso que foi a histórica convenção do MDB, no último dia cinco, no colorido, superlotado e festivo auditório do Hotel Ritz Lagoa da Anta de Maceió.
Moral da história
1 – Ao se envolver pessoalmente na arrumação da chapa presidencial do PL, indicando o alagoano Alfredo Gaspar para vice de Flávio Bolsonaro, Arthur Lira esnoba a confiança de Lula e menospreza o apelo que o presidente fez para JHC ajudá-lo na corrida ao Senado.
2 – Ao se compor com Lira e absorver a indicação de Gaspar para vice de Flávio, JHC assume de vez o bolsonarismo e retribui, a seu modo e estilo, a decisão com a qual Lula, atendendo a suplicante apelo, nomeou sua tia – Marluce Caldas – para o cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça, o concorrido e ambicionado STJ.














