28 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Cotidiano

Era uma vez… Um pequeno tributo a Valéria Peixoto

Cabo do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas morreu aos 41 anos, vítima de aneurisma cerebral

A notícia da morte da cabo CBM-AL Valéria Peixoto, ocorrida na última quinta-feira, me deixou chocada. Uma menina que vi crescer, em Marechal Deodoro, dona de um sorriso meigo e de um olhar cheio de ternura que lhe acompanhou por toda a sua existência na terra. Aos 41 anos de idade, despediu-se da vida, vítima de um aneurisma cerebral que se agravou e evoluiu para um infarto no miocárdio.

‘Lela’ foi sepultada nesta sexta-feiras, no cemitério de Marechal Deodoro, com honras militares -homenageada pelos colegas do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas, corporação que integrava há  mais de 12 anos, lotada no Grupo de Salvamento. Uma cerimônia emocionante, pelo cortejo fúnebre acompanhando a viatura de Salvamento que tantas vezes ela ocupou para salvar vidas; pelos colegas de trabalho enfileirados em reverência; pelo barulho do helicóptero do CBM sobrevoando a cidade envolvida num clima de carinho e comoção, em meio às lágrimas de uma multidão igualmente chocada com a triste notícia.

Tinha, ela, uns 7 anos de idade quando a vi pela primeira vez. Uma menina branquinha, bochecha rosada e cabelo levemente ondulado, preso por uma tiara – de princesa: Branca de Neve, puxando pelas mãos um ‘cordão’ de 7 anões – crianças bem menores que ela – num desfile cívico escolar, em Marechal Deodoro. A imagem parecia a materialização da personagem da história infantil. Para mim, a partir daquele momento, Branca de Neve ganhou vida – tinha o corpo, a alma e o sorriso doce de Valéria. A figura de uma, inevitavelmente associava à outra.

A menina cresceu, e como toda princesa, conquistou seu príncipe. João Neto, o vizinho e amiguinho de infância, cresceu com ela, lado a lado, virou o namorado da adolescência, e mais tarde, o esposo, o pai dos seus filhos. Um conto de fadas da vida real. Talvez pelo curto tempo de vida que teria entre nós, Deus permitiu a Valéria conviver desde a infância com o amor da sua vida.

Hoje, Neto se separou pela primeira vez de sua companheira de uma vida inteira. E lá estava ele, segurando pelas mãos um ‘cordão’ formado pelos dois filhos do casal, ainda muitos pequeninos para entender a dimensão dessa despedida.

Como que por encanto, a princesa saiu de cena. Virou anjo. Foi personalizar outras fábulas no céu. Do lado de cá, caberá a João Neto – seu eterno companheiro – à irmã Anália, aos parentes e amigos mais próximos, a tarefa de continuar essa história para a memória dos filhos que Valéria deixou.

Caberá a eles transformar o inesperado “The End” em “Era uma vez…”.