EUA classificam CV e PCC como organizações terroristas após pedido de Flávio Bolsonaro

Governo Lula era contrário à medida por riscos à soberania e potencial impacto econômico

O governo dos Estados Unidos assinou nesta quinta-feira (28) a classificação das facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

O documento foi assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio e é um resultado direto dos pedidos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Donald Trump, ao vice-presidente JD Vance e ao próprio Rubio (com quem ele esteve reunido nos últimos dois dias na Casa Branca).

A medida tinha avançado no governo americano após intenso trabalho de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, mas ficou suspensa após o chanceler Mauro Vieira pedir que os EUA esperassem a visita do presidente Lula a Trump.

O governo Lula é contrário à designação por ver riscos à soberania brasileira e potencial impacto na economia e no setor financeiro (a classificação permite ao Tesouro dos EUA sancionar empresas, fundos e bancos com ligações às facções).

O modelo aplicado segue o usado para cartéis latino-americanos (como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela). Após a assinatura, a ordem é enviada ao Congresso e deve levar alguns dias para entrar em vigor (procedimento protocolar, sem possibilidade de reversão).

Na terça (26), Flávio pediu pessoalmente a Trump que prosseguisse com a designação:

“Fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele para que declare CV e PCC como organizações terroristas. Sim, que é o que eles são. O Lula vai de joelhos, rastejando, para implorar ao presidente americano Trump que não declare organizações criminosas como terroristas. Eu faço o contrário.”

Após ouvir o pedido, Trump teria dito a assessores: “Temos que ajudar esses caras.” Ontem, Flávio voltou à carga com Rubio (que “aparentou ser mais favorável a essa pauta”). Flávio disse não ver “ameaça” militar ao Brasil e negou que apoie bombardeios (embora tenha escrito em tuíte: “Que inveja! Ouvi dizer que há barcos como esse aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas.”)

Antes de viajar aos EUA, Flávio vivia seu pior momento na pré-campanha após a revelação de áudio em que pedia R$ 143 milhões a Daniel Vorcaro. Nos EUA, ele se recusou a responder perguntas sobre o caso Vorcaro.

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