24 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

EUA pressionou Brasil a reduzir tarifa do etanol para favorecer reeleição de Trump

Produtores de Iowa venderiam o combustível a base de milho, inferior ao de cana-de-açúcar

O governo americano foi acusado de tentar pressionar o Brasil a ajudar as perspectivas de reeleição de Trump, de acordo com uma carta do Comitê de Relações Exteriores da Câmara .

Essa carta cita as notícias brasileiras que relatam o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, pressionou os membros do governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro a reduzir as tarifas de etanol para apoiar os esforços de reeleição do presidente Donald Trump.

Na carta, o presidente do Comitê de Relações Exteriores, Eliot Engel, exige que Chapman explique um artigo no qual o embaixador teria pedido que as tarifas fossem reduzidas como um “favor” do governo brasileiro à campanha de reeleição de Trump.

“Iowa é o maior produtor de etanol dos Estados Unidos e pode ser um ator importante nas eleições de Trump”, afirmou O Globo , segundo a carta. “Daí a importância, segundo Chapman, para o governo Bolsonaro fazer um favor aos EUA.”

Etanol inferior

Foi portanto pedido que o governo brasileiro reduzisse as tarifas de etanol para comprar mais do mesmo de Iowa. Entretanto, o etanol de Iowa é à base de milho, enquanto o brasileiro é da cana-de-açúcar – muito superior.

O álcool brasileiro é mais barato de produzir, cerca de sete vezes mais eficiente em termos de energia e custa metade do preço, se comparada com a área plantada.

Não há, portanto, sentido para o governo brasileiro comprar um produto inferior e mais caro. Além disso, o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo e simplesmente não precisa importar etanol.

Notícias

Além da reportagem de O Globo, Estadão, publicou uma história semelhante com base em suas próprias reportagens, com seus jornalistas descobrindo que Chapman havia feito o pedido e foi rejeitado por funcionários do governo.

Alceu Moreira, um congressista brasileiro, também disse ao Times que Chapman “fez várias referências ao calendário eleitoral durante uma recente reunião que os dois tiveram sobre o etanol”.

Engel pediu que Chapman respondesse aos relatórios até 4 de agosto e que ele fornecesse “todo e qualquer documento referente ou relacionado a qualquer discussão” com autoridades brasileiras.

Se os relatórios forem precisos, afirma a carta, as ações de Chapman podem violar a Lei Hatch, que impede que funcionários federais se envolvam em determinadas atividades políticas, como campanhas partidárias para candidatos.

Um porta-voz do Departamento de Estado disse em um comunicado que os esforços de Chapman faziam parte de uma política de pressionar tarifas mais baixas em geral, não focando apenas no apoio a uma campanha presidencial.

“As alegações que sugerem que o embaixador Chapman pediu aos brasileiros que apoiem um candidato específico dos EUA são falsa. Os Estados Unidos há muito se concentram na redução de barreiras tarifárias e continuarão a fazê-lo”. Comunicado do Departamento de Estado.