
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), foragido da Justiça brasileira, abriu uma empresa nos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2026, quatro meses após fugir do Brasil. O registro da ARBN Villa Corporation foi feito no estado da Flórida, em Kissimmee (mesmo endereço de uma escola de jiu-jitsu da rede Gracie Barra).
Em 20 de março, Ramagem mudou o endereço para uma caixa postal em uma loja da UPS em Saint Cloud (a cerca de 45 km de Orlando, onde ele estaria morando com a família). Os documentos não detalham o ramo de atuação; a finalidade declarada é realizar “todo e qualquer negócio legal”. Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado, publicou em dezembro que o marido planejava vender cursos online “de altíssimo nível, com conteúdo sério, relevante e transformador”.
Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias em regime fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, por ter usado a estrutura da Abin (durante o governo Jair Bolsonaro) para monitorar opositores e desacreditar as urnas eletrônicas (a chamada “Abin paralela”).
Ele foi eleito deputado em 2022, mas teve o mandato cassado em dezembro de 2025 após a condenação. Ramagem fugiu clandestinamente em setembro de 2025 pela fronteira com a Guiana e usou passaporte diplomático para entrar nos EUA. O governo brasileiro encaminhou pedido de extradição, mas Ramagem pediu asilo político (em análise).
Embora não receba mais salário de deputado e não tenha declarado bens em 2022, mantém vida de alto padrão em Orlando: casa de 329 m² com 5 quartos, vista para lago, valor estimado em R$ 4,5 milhões. Em abril, foi dfetido pelo ICE por questões migratórias, mas solto após dois dias.
Pelo Instagram, Rebeca Ramagem posta fotos do casal em Miami, Nashville e eventos como o Fifa Fan Fest, além de desinformação sobre a condenação do marido. Ramagem participa de programas de extrema direita (como a revista Timeline, de Allan dos Santos, também foragido) e celebrou a designação de PCC e CV como terroristas pelos EUA. A reportagem tentou contato com Ramagem, sem retorno.














