
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente o voto do colega Luiz Fux no julgamento da trama golpista, classificando-o como “prenhe de incoerências” e “contraditório”. Em entrevista após inauguração de sede do IDP em São Paulo, Gilmar afirmou que, se estivesse na Primeira Turma, condenaria Jair Bolsonaro e os demais acusados “de maneira inequívoca”.
“Se não houve golpe, não deveria ter havido condenação. Condenar o [tenente-coronel Mauro] Cid e o [general Walter] Braga Netto e deixar todos os demais de fora parece uma contradição nos próprios termos”, argumentou o ministro, referindo-se ao voto de Fux que absolveu Bolsonaro mas condenou dois dos réus.
Gilmar defendeu que divergências em julgamentos são normais, mas ressaltou que o voto de Fux não deve servir para fortalecer projetos de anistia, que considera inconstitucionais. “O Brasil, num momento bastante delicado, deu um belo exemplo para o mundo de que tentativas de golpe precisam ser punidas”.
Críticas a Tarcísio e sanções dos EUA
O decano também reagiu às declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que durante ato em 7 de Setembro classificou a atuação do ministro Alexandre de Moraes como “tirania”. “Todos sabem que não há tirania nem ditadura no Brasil. Certamente havia uma proposta de ditadura que nós logramos desmantelar”.
Sobre as sanções impostas pelos Estados Unidos, incluindo a inclusão de Moraes na lista Magnitsky, Gilmar as classificou como “neocolonialismo tecnológico ou digital”. “Seria absurdo que o governo brasileiro colocasse na sua pauta de reivindicações a liberação dos ‘Epstein Files’ nos EUA. Da mesma forma, é absurdo pedir ao Brasil que libere alguém que está respondendo a processo regular”.
O ministro concluiu afirmando que “a democracia brasileira sai mais forte desse resultado” e que as sanções não afetarão a vida institucional do país, reafirmando o compromisso do STF com a aplicação das leis brasileiras.














