Governo prepara Desenrola 2.0 com restrições a bets para conter novo endividamento

Programa de renegociação incluirá barreiras para impedir que beneficiários voltem a criar dívidas em apostas online

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que a nova versão do programa Desenrola, voltado para renegociação de dívidas, deve incluir regras para impedir que cidadãos endividados criem novas dívidas com empresas de apostas online (bets). A medida está em análise e será formulada para definir o modelo mais eficaz de controle.

“Estamos estudando como criar contrapartidas para os clientes que usarem o Desenrola. Porque não adianta resolver uma dívida e, logo em seguida, a pessoa se endividar novamente nas bets”, afirmou Durigan após reunião com a bancada do PT na Câmara.

Ainda não há detalhes sobre limites ou restrições específicas, mas Durigan não descartou definir tetos de gastos em apostas ou proibir novos gastos para beneficiários. A proposta também pode permitir o uso do FGTS para quitar dívidas.

Contexto do endividamento

Após o fim do primeiro Desenrola, cerca de 9 milhões de brasileiros voltaram a ficar inadimplentes, elevando o total de devedores a 81,7 milhões, o maior patamar desde 2012. Especialistas apontam que o aumento está ligado à oferta agressiva de crédito, à falta de educação financeira e aos altos juros.

O programa original (julho de 2023) beneficiou cerca de 15 milhões de pessoas, com dívidas de R$ 53,2 bilhões, mas o efeito foi temporário. Após o término em maio de 2024, a inadimplência voltou a crescer.

Desenrola 2.0

O novo programa, a ser anunciado nos próximos dias, terá foco em dívidas de maior custo (cartão, cheque especial, crédito pessoal sem garantia), oferecendo abatimentos de até 80% e refinanciamento do restante. Haverá contrapartidas, como restrições a apostas online e cursos de educação financeira obrigatórios.

O presidente Lula disse na quarta (8), em entrevista ao ICL Notícias, que “se depender de mim, a gente fecha as bets. Faz 15 dias que estou discutindo esse negócio. Se elas causam o mal que a gente acha que causam, por que não acabar?”

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