4 de dezembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Vídeo: Hotel usa segurança para afastar ambulantes da praia do Francês

Tem sido comum em Alagoas a privatização das praias, de norte a sul, pelo setor hoteleiro

No Brasil que a elite quer construir não há espaço para o pobre. Um caso clássico e bem ilustrativo é exatamente a operação que o Hotel Ponta Verde montou na praia do Francês, para afastar os vendedores ambulantes da praia.

Ambulantes, diga-se, devidamente regularizados na Prefeitura Municipal de Marechal Deodoro, que tentam ganhar o sustento de suas famílias de forma justa e honesta, mas que são perseguidos por seguranças do hotel, que não os querem na área. O fato é recorrente e o silêncio das instituições também.

O tratamento dado pela empresa aos ambulantes remete a privatização da faixa de praia pelo hotel. E tudo isso diante dos olhos das instituições fiscalizadoras que cedem aos encantos do poder econômico, desprotegendo o cidadão comum dos seus direitos.

O caso mais recente em frente ao Hotel Ponta Verde, na praia do Francês é o que se apresenta neste vídeo gravado pela mulher do vendedor ambulante que exigiu seu direito de trabalhar com dignidade em área pública.

Veja o vídeo:

 

 

Em nota, nas redes sociais, o Hotel Ponta Verde foi lacônico:

Diz o texto da nota:

“A diretoria do Hotel Ponta Verde sente muito pelo episódio ocorrido com um vendedor ambulante da praia do Francês.

O hote Ponta Verde é uma empresa que sempre trabalhou em união com toda a comunidade local, promovendo de forma direta e indireta, a capacitação de todos os participantes da cadeia de serviços voltados ao turismo, buscando sempre pela qualidade, e sobretudo satisfação dos turistas em nosso Estado.

Compartilhamos  do mesmo sonho de todos aqueles que querem uma praia do Francês limpa, organizada e próspera”.

Às 9h20 desta terça-feira, 05, a  redação do eassim.net entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Marechal Deodoro para saber o posicionamento da instituição municipal. Até o fechamento da matéria, às 13h32, a Prefeitura de Marechal não prestou nenhum tipo de esclarecimento, o que leva a reforçar a tese de omissão defendida pelos ambulantes que tentam usar do direito ao trabalho no espaço público.