18 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

‘Já vi esse filme’: Collor afirma que Bolsonaro faz o “toma lá, da cá”

Para o senador alagoano, Brasil não vive uma crise política só de agora, mas desde a posse do atual presidente

Em entrevista a Josias de Souza, do UOL, o ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor de Mello (PROS-AL) afirmou nesta terça (28) que Brasil não vive uma crise política só de agora, mas desde a posse de Jair Bolsonaro. E que ainda assim, ele cria conflitos do nada:

“Vivemos hoje no meu entender uma crise institucional. Ela está instalada e tem gravidade porque tem esse episódio da pandemia, que está gerando exasperação na sociedade pelos efeitos da ordem econômica, da fome. A crise política começou quando o presidente tomou posse. O presidente não entendeu ainda que o presidente é líder político da nação, e como líder político ele tem que fazer política”. Fernando Collor, senador (PROS-AL) e ex-presidente.

O senador, que teve seu mandado presidencial encerrado precocemente em 1992, após sofrer um processo de impeachment, deu a dica ao lembrar que a política deve ser feita por “canais institucionais”: os partidos políticos e os políticos eleitos.

Toma lá, dá cá

Collor disse ainda identificar um momento de “toma lá, dá cá” no governo, referindo-se a negociações feitas nos últimos dias entre Bolsonaro e o chamado centrão, grupo que reúne parlamentares de partidos como o PP, PL, Solidariedade e Republicanos.

Desde o início do mês, o presidente tem se aproximado de partidos do centro com ofertas de cargos na administração pública como parte de uma tentativa para criar uma base no parlamento. Uma prática nociva, segundo Collor.

“Sofri o que sofri, o meu impedimento, e tomei uma lição. Governo que não tem maioria no Congresso Nacional, no sistema presidencialista, não consegue terminar o seu mandato. Esse filme que eu já vi. Essa falta de entendimento com o Congresso, já vi no que isso resultou. E não gostei do que vi, não tenho nenhum gosto que aconteça novamente”. Fernando Collor.