Juiz vê “contexto político” e absolve Sikêra por ter dito ‘falta de rola’ para mulher no Twitter

"Jovem não pode alegar ofensa a sua honra quando optou, num ambiente de forte tensão política, se posicionar a favor de um dos grupos", considerou a Justiça de São Paulo

Uma influenciadora digital teve negado, na Justiça de São Paulo, um pedido de indenização por ataque misógino feito por Sikêra Jr, da RedeTV. Mas um juiz inocentou o apresentador porque viu ‘contexto político’ no ataque dele.

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Em 2018, Nicole Resende Bonfim, a ‘Melzinho de Feira’, criticou o SBT pelo uso do slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”, logo após a eleição de Jair Bolsonaro.

“Paga a minha passagem, então, Silvio Santos do caralho”. Nicole Resende Bonfim.

Na mesma plataforma, respondendo sua postagem no Twitter, Sikêra Jr disse com a seguinte frase:

“Seu problema é a falta de rola”? Sikêra Jr.

Nicole, de 21 anos, exigiu uma indenização de R$ 15 mil pelo ataque, afirmando que aquilo não se tratav de liberdade de expressão, mas de ‘abuso de direito”.

“O fato de ser um jornalista popular gera na sociedade um clima de permissividade com relação a ataques misóginos”. Nicole Resende Bonfim.

Sikêra afirmou à Justiça que Nicole se coloca no papel de vítima, mas que começa várias discussões ofensivas nas redes sociais, afirmando que ela “ofende outras pessoas de forma pejorativa”.

Na sentença em que absolveu o apresentador, o juiz Luís Mauricio Sodré de Oliveira disse que a controvérsia judicial se dá:

“Em um contexto histórico de forte antagonismo político, em que grupos de visão ideológica diferentes disputam o poder na sociedade brasileira, a expressão ‘rola’ não pode ser retirada do contexto político e histórico. A jovem não pode alegar ofensa a sua honra quando optou, num ambiente de forte tensão política, por se posicionar a favor de um dos grupos que disputam o poder”. Luís Mauricio Sodré de Oliveira.

O juiz lembrou que a influenciadora digital também se utilizou de uma expressão imprópria ao se referir a Silvio Santos. “Embora lamentável, não há como fugir da constatação de que tudo se trata de ofensas recíprocas, iniciadas, primeiramente, pela autora”. Ela ainda pode recorrer da decisão.

Recebendo milhares de reais do governo, Sikêra, no entanto, nunca criticou o presidente Jair Bolsonaro por fazer piadas de cunho sexual ao lado de crianças, impor nelas o gesto de arminha na mão ou mesmo tirar a máscara do rosto delas.

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