Juros elevados seguem como principal barreira ao crédito para a indústria, aponta CNI

Sondagem revela que oito em cada dez empresas industriais enfrentam dificuldades para financiar investimentos em meio à política monetária restritiva e ao encarecimento do crédito no país

A sondagem mais recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que os juros elevados continuam sendo o principal entrave para o acesso ao crédito no setor industrial brasileiro. De acordo com a Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, oito em cada dez empresas que enfrentaram dificuldades para obter financiamento apontaram o alto custo do dinheiro como o maior obstáculo.

O levantamento, realizado com o apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), mostra que 80% dos empresários que tiveram problemas para contratar crédito de curto ou médio prazo citaram os juros como fator determinante. Além disso, 32% mencionaram as exigências de garantias reais, como bens móveis ou imóveis, enquanto 17% destacaram a ausência de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas.

No caso do crédito de longo prazo, acima de cinco anos, o cenário se repete. Os juros altos foram apontados por 71% dos industriais, seguidos pelas exigências de garantias reais, com 31%, e pela falta de linhas apropriadas, com 17%. Para a CNI, esse contexto está diretamente relacionado à política monetária restritiva em vigor no país.

Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, a taxa Selic em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10% encarecem o crédito e desestimulam investimentos. Esse ambiente, afirma, compromete a expansão da capacidade produtiva, a inovação e, consequentemente, a competitividade da indústria nacional.

A pesquisa também aponta que a Selic elevada freou a busca por crédito. Mais da metade das empresas não procurou financiamento de longo prazo nos seis meses anteriores ao levantamento, e quase metade evitou crédito de curto ou médio prazo. Entre as que tentaram, os índices de frustração foram significativos, especialmente entre médias e pequenas indústrias.

Outro dado relevante é a percepção de piora nas condições de acesso ao crédito. Para mais de um terço das empresas que renovaram financiamentos, fatores como taxas de juros, prazos e exigências de garantias se tornaram mais desfavoráveis. Já modalidades alternativas, como o risco sacado, ainda são pouco conhecidas e utilizadas pela maioria das indústrias.

A Sondagem Especial nº 98 ouviu 1.789 empresas industriais de diferentes portes e reforça o diagnóstico de que o custo do crédito segue como um dos principais desafios para o desenvolvimento do setor produtivo no Brasil.

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