
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a 67ª Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, na manhã deste sábado, 20, em Foz do Iguaçu (PR), com as presenças dos presidentes da Argentina, Javier Milei; do Paraguai, Santiago Peña; e do Uruguai, Yamandú Orsi.
A reunião marca a passagem da presidência pro tempore do bloco do Brasil para o Paraguai.
No discurso de abertura, o líder brasileiro listou alguns avanços do bloco econômico no último semestre, sob a presidência brasileira, mas dedicou boa parte da fala de pouco mais de 10 minutos para tratar das operações militares dos Estados Unidos na costa da Venezuela, da defesa da democracia e do multilateralismo, e do adiamento da assinatura do acordo comercial com a União Europeia, que deveria ocorrer, hoje, em Foz do Iguaçu, mas foi adiado para janeiro a pedido da Itália.
Lula não escondeu a frustração por não comandar a cerimônia de assinatura do acordo com os europeus — que criaria um mercado consumidor de mais de 700 milhões de pessoas —, mas se mostrou otimista com a solução do impasse criado pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que pediu mais tempo para negociar com o agronegócio de seu país salvaguardas para proteger a produção interna da competição com produtos sul-americanos.
Democracia e liberdade
O presidente Lula também destacou, na abertura da cúpula do Mercosul, que as democracias estão sob ataques e pressões. Ele deu o exemplo do Brasil — que viveu uma tentativa de golpe de Estado — como resistência ao avanço de forças antidemocráticas. “A democracia brasileira sobreviveu ao mais duro atentado sofrido desde o fim da ditadura. Os culpados pela tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 foram investigados, julgados e condenados conforme o devido processo legal. Pela primeira vez na sua história, o Brasil acertou as contas com o passado”, enfatizou.
“A liberdade é a primeira vítima de um mundo sem regras”, disse Lula, que vai propôr a realização de um encontro entre os ministros da Justiça e de Segurança Pública dos países vizinhos para fortalecer a cooperação sul-americana nesse tema.














