Lula lança novo Desenrola Brasil com desconto médio de 65% para renegociar dívidas

Programa é voltado a quem ganha até cinco salários mínimos; aderentes ficam impedidos de acessar bets por um ano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira (4) o novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas que oferece desconto médio de 65% sobre os valores originais. A iniciativa é voltada à população com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e contempla débitos de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal (CDC) e contratos do Fies.

“O governo pretende, com as medidas anunciadas, permitir às pessoas tirar a corda do pescoço e respirar com mais tranquilidade, ao voltar a ter o nome limpo na praça”, disse Lula. “Não é correto a pessoa estar com o nome sujo no Serasa por causa de uma dívida de R100ouR 200. Isso não tem lógica.”

Condições do programa

  • Dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, em atraso entre 90 dias e dois anos

  • Juros limitados a 1,99% ao mês

  • Descontos de 30% a 90% sobre o valor original (média de 65%)

  • Parcelamento de até quatro anos

  • Uso de até 20% do saldo do FGTS para abater a dívida (operação entre Caixa e banco credor)

  • Prazo de carência de até um mês para início dos pagamentos, com retirada do nome dos cadastros de inadimplência

A renegociação ocorre diretamente com os bancos onde a dívida foi contraída, diferentemente da edição anterior (2023), que usava plataforma centralizada.

Contrapartida e contexto

Os beneficiários ficam impedidos de acessar plataformas de apostas online (bets) por um ano. “Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet”, afirmou Lula.

O lançamento ocorre em cenário de alto endividamento: no fim de 2024, cerca de 117 milhões de brasileiros tinham dívidas com instituições financeiras, e quase 30% da renda das famílias estava comprometida com débitos (maior nível da série histórica). A primeira versão do Desenrola beneficiou mais de 15 milhões de pessoas e renegociou cerca de R$ 53 bilhões em dívidas. A expectativa agora é ampliar esse alcance.

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