Lula vai ao G7 na França cobrar países ricos sobre protecionismo e corte de ajuda

Presidente participa da cúpula em Evian entre 15 e 17 de junho; Macron também convidou Donald Trump

O presidente Lula levará à cúpula do G7 (entre 15 e 17 de junho em Evian, na França) um recado aos países ricos: o protecionismo é uma ameaça e o corte de ajuda ao desenvolvimento coloca em risco milhões de vidas. Lula é um dos poucos líderes de países em desenvolvimento convidado à reunião organizada por Emmanuel Macron. Donald Trump também confirmou presença.

Na avaliação do Brasil, uma das distorções macroeconômicas globais que precisa ser debatida é a questão das barreiras comerciais e do unilateralismo. Na semana passada, o governo Trump orquestrou nova ofensiva contra importações de dezenas de países (o Brasil voltou a ser um dos mais afetados). Além disso, semanas depois da entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e UE, Bruxelas aplicou barreiras contra a carne brasileira com argumentos sanitários.

Outro fator que preocupa o governo brasileiro é o profundo corte de ajuda dos países ricos ao desenvolvimento. Nos últimos meses, governos como Alemanha, Japão e EUA anunciaram retomada do rearmamento com orçamentos inéditos. Na visão do Brasil, isso significará redução do volume de dinheiro destinado a programas sociais e ambientais pelo mundo. Na COP30 (Belém, 2025), Lula comemorou a criação de um fundo para preservação de florestas (que coletou US$ 5 bilhões), volume considerado irrisório perto dos US$ 2,8 trilhões gastos com armas no ano passado.

A entidade Oxfam alertou que os membros do G7 promoverão um corte sem precedentes: o bloco (responsável por cerca de três quartos de toda a ajuda oficial ao desenvolvimento) deverá reduzir seus gastos com ajuda em 28% em 2026 (o maior corte desde a criação do G7 nos anos 70). Os níveis de ajuda do G7 em 2026 cairão US$ 44 bilhões, para apenas US$ 112 bilhões, impulsionados principalmente por EUA (redução de US$ 33 bilhões), Alemanha (US$ 3,5 bilhões), Reino Unido (US$ 5 bilhões) e França (US$ 3 bilhões). O alerta do governo brasileiro é que não haverá como lidar com o clima ou com a fome se essa tendência for mantida.

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