28 de novembro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Mais 2 secretários da equipe de Paulo Guedes pedem demissão do governo

Agora já são 5 as baixas na equipe econômica do governo federal

Os secretários de Prizatização, Salim Mattar (E) e de Desburocratização, Paulo Uebel, deixam o governo

Os secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e o de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram demissão nessa terça-feira, 11, ao ministro da Economia, Paulo Guedes. O ministro confirmou a informação aos jornalistas depois de se reunir com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Com as duas saídas desta terça, a equipe econômica soma agora cinco baixas. Com isso, o projeto liberal de Guedes está ‘desintegrando’ na proporção em que Jair Bolsonaro faz acenos ao Centrão e ala militar pretende aumentar gastos públicos.

Nas últimas semanas, Mansueto Almeida já havia deixado o Tesouro Nacional, Caio Megale deixou a diretoria de programas da Secretaria Especial da Fazenda e Rubem Novaes anunciou que deixará a presidência do Banco do Brasil.

“Se me perguntarem se houve uma debandada hoje, houve”, disse Guedes. Segundo o ministro, apesar das demissões, o governo vai “avançar com as reformas”. “Nossa reação à debandada que ocorreu hoje vai ser avançar com as reformas”, afirmou.

Segundo Guedes, Salim – um dos fundadores da Localiza – deixa o governo porque está insatisfeito com o ritmo das privatizações no governo. “O que ele me disse é que é muito difícil privatizar que o estabilishment não deixa a privatização, que é tudo muito difícil, tudo muito emperrado”, declarou Guedes.

O ministro afirmou que apontou a Salim a necessidade de “lutar” para que as privatizações aconteçam. “O que eu digo para o Salim o que eu sempre disse foi o seguinte: para fazer a reforma da Previdência cada um de nós teve que lutar. Para privatizar, cada um de nós tem que lutar. Não adianta esperar ajuda do papai do céu. Nossa proposta foi de transformação do estado. Então, nós vamos tentar e vamos correr até conseguir”, declarou.

Já Uebel pediu demissão por discordar da estratégia do governo federal de deixar parada a reforma administrativa, que faz uma reformulação do RH do Estado. Guedes disse que o “timing” da reforma, engavetada pelo presidente Jair Bolsonaro por mexer com o funcionalismo público, é “político”. “A reforma administrativa está parada. Então, ele [Uebel] reclama que a reforma administrativa parou. A transformação do Estado tem várias dimensões”, afirmou Guedes.


Teto de gastos

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), se reuniram nessa terça-feira, 11, para fechar juntos uma defesa pela manutenção do teto de gastos. Depois de mais de uma hora de reunião, no Ministério, os três concederam juntos uma entrevista a jornalistas.

“Conversado com ministro e líder, sobre essa preocupação de todo mundo dar um jeitinho para conseguir resolver seus projetos, sejam investimentos entre outras áreas, a gente veio aqui deixar claro qual a posição da presidência da Câmara, posição de parte dos líderes, que primeiro, de forma nenhuma vamos pautar, e eu espero que o governo não encaminhe, nenhuma prorrogação do estado de calamidade”, disse Maia. Segundo ele, a medida é para que a prorrogação não seja usada para furar o teto.

Ele disse ainda que deve ser retomado o debate sobre gastos públicos. “As três PECs que o ministro Paulo Guedes encaminhou no ano passado para o Senado, que tratam como o todo do pacto federativo”, afirmou o deputado.

“Precisamos voltar a discutir primeiro a questão do teto dos gatos e seus gatilhos, eu acho que se nós conseguirmos avançar rápido nesse tema, nós vamos abrir espaço no momento em que de fato o Brasil precisa de investimentos privados, principalmente, mas também públicos, ninguém tá negando isso”, disse.

Maia disse que o governo e o Congresso devem encontrar caminhos para a economia voltar a crescer, sem furar o teto. “Não tem saída fácil, não é um momento simples”, disse. “Não tem jeitinho não tem esperteza. O que tem é uma realidade”, disse. O parlamentar afirmou ainda que o decreto de calamidade e a PEC da Guerra acabam no fim do ano.

Orlando Silva: Guedes vê equipe ministerial ‘desintegrar’

Vice-líder da oposição na Câmara, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) afirmou em sua conta no Twitter que o ministro da Economia, Paulo Guedes, vê a sua equipe “desintegrar”.

“Paulo Guedes, antigo Posto Ipiranga, hoje não é nem um Texaco no governo Bolsonaro”, provocou o parlamentar em sua conta no Twitter. “Mais dois abandonaram o navio. O último a sair que apague a luz”, completou Silva.

Com Salim e Uebel, chegam a cinco as baixas na equipe econômica na última semana. Mansueto Almeida e Caio Megale já haviam deixado o Tesouro Nacional e a diretoria de programas da Secretaria Especial da Fazenda, respectivamente, e o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, também anunciou a própria saída

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