
Pesquisa “Amor e Cuidado: Dia dos Pais”, do Instituto Locomotiva, revelou que 61% dos brasileiros conviveram com a figura paterna durante toda a infância e adolescência. O índice cai para 51% entre as classes D e E, o que significa que mais da metade desse estrato social não teve essa convivência. Entre as classes A e B, o percentual de presença sobe para 67%.
João Paulo de Resende Cunha, diretor do instituto, afirmou que a ausência paterna tem impacto socioeconômico, pois famílias sem o pai tendem a ter menos oportunidades de renda maior. “Essa cadeia de transmissão vai perdurando no tempo, é mais provável que pessoas que passaram por situações como essas na infância permaneçam nos extratos mais pobres”, disse.
O estudo apontou que, mesmo entre os que tiveram pai presente, a figura paterna esteve mais ligada a atividades financeiras do que ao cuidado cotidiano. Para 64% dos entrevistados, a principal associação ao pai é o pagamento de despesas. Atividades como participar de reuniões escolares, conversar sobre sentimentos ou ajudar com tarefas foram realizadas com frequência por apenas dois em cada dez pais. Para 63%, demonstrar carinho e afeto foi algo feito poucas vezes ou nunca.
A pesquisa, que ouviu 1.030 pessoas em junho de 2026, também mostrou que a maioria dos brasileiros defende a divisão igualitária de responsabilidades entre pais e mães. Para 88%, o cuidado e o afeto devem ser tarefa de ambos, e 84% acreditam que diálogos difíceis sobre relacionamentos e saúde mental também devem ser compartilhados. “Mesmo entre os que não tiveram a figura paterna, há uma percepção de que deveria ser diferente”, observou Cunha.














